
OpenAI perde 13 executivos em 2026 e Greg Brockman vira dono do jogo
Mais de uma dúzia de executivos deixou a OpenAI neste ano, e boa parte das áreas esvaziadas foi parar sob o guarda-chuva de Greg Brockman. Sam Altman segue CEO, mas quem está redesenhando o organograma é o cofundador e presidente.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
13 saídas em oito meses
Treze. Esse é o número de executivos que deixou a OpenAI desde o início de 2026, segundo levantamento citado pelo TechCrunch. Não é estagiário saindo pela porta dos fundos: são nomes como Fidji Simo, a número dois de Sam Altman, que se afastou em julho por questão de saúde; o COO Brad Lightcap, que anunciou em agosto que vai empreender algo novo; a CMO Kate Rouch; e Chris Malone, chefe de data centers, que durou pouco mais de um ano no cargo antes de sair. Kevin Weil e Bill Peebles, líderes de equipes de produto e pesquisa, já haviam deixado a empresa em abril.
Quem ganha: Brockman
Foto: reprodução/cnbc.com
Enquanto a lista de saídas cresce, uma pessoa está acumulando cadeiras: Greg Brockman, cofundador e presidente da OpenAI. Segundo o The Verge e o TechCrunch, ele passou a supervisionar áreas de infraestrutura, produto, go-to-market e iniciativas de computação que antes estavam pulverizadas entre outros executivos — inclusive o time de data centers que Malone comandava, agora sob Sachin Katti. A frase que resume o momento é de Thibault Sottiaux, executivo da companhia: "todos reportam ao Greg no fim do dia". É uma reviravolta e tanto para quem, em 2019, havia perdido boa parte de suas responsabilidades de gestão dentro da empresa.
Quem segue CEO: Altman
Sam Altman continua no comando formal como CEO, mas o próprio Brockman tratou de emoldurar a turbulência como parte da rotina de uma empresa que "se reinventa" — e fez questão de dizer que ele e Altman são as constantes da equação. Nos bastidores, Altman reconheceu publicamente que os últimos 12 meses foram difíceis e reorganizou a companhia com foco mais direto em receita, num momento em que a OpenAI se prepara para uma possível oferta pública e enfrenta comparações constantes com a Anthropic no mercado corporativo.
O que está em jogo
A leitura do mercado, reforçada pela CNBC, é que o êxodo acende uma "bandeira vermelha" às vésperas de um IPO. Para investidores, a pergunta não é só quem saiu, mas para onde foi o poder que sobrou. E a resposta, por ora, aponta para uma concentração inédita nas mãos de Brockman — com Altman mantendo o título, mas dividindo cada vez mais a régua de decisão.
Atualização (27/08, 18:48): O êxodo de talentos que abala a OpenAI ganha mais um capítulo — e desta vez o destino final é o Google. Barret Zoph, que cofundou a Thinking Machines Lab ao lado de Mira Murati em 2024 e atuava como CTO da startup, anunciou que está se juntando ao Google DeepMind como vice-presidente de pesquisa, focado em reinforcement learning e pós-treinamento para o Gemini.
A trajetória recente de Zoph resume bem a instabilidade do setor: em janeiro de 2026 ele deixou a Thinking Machines e voltou à OpenAI, junto com o também cofundador Luke Metz, para liderar a área de vendas empresariais de IA. A passagem, porém, durou pouco — apenas cerca de cinco meses. Zoph confirmou a saída da OpenAI em junho de 2026 e, no fim de agosto, revelou o novo posto no Google, empresa onde já havia trabalhado anteriormente antes de ingressar na OpenAI em 2022.
Um porta-voz do Google disse esperar que Zoph traga "sua expertise em RL e pós-treinamento para o Gemini", reforçando a disputa acirrada entre gigantes de IA por pesquisadores seniores — o mesmo pano de fundo que já levou à saída de 13 executivos da OpenAI neste ano.