OpenAI quer levar agentes de IA da programação para todo mundo
A OpenAI está adaptando o Codex, usado por programadores, para tarefas do dia a dia com o ChatGPT Work. Hoje, 98% dos funcionários da empresa usam o Codex — mas só 17% dos assinantes corporativos e menos de 1% dos individuais.
Por Marina Sato · Repórter de IA
Do código para o escritório
A OpenAI quer que agentes de IA façam pelo trabalho de escritório o que o Codex já faz pela programação. O produto se chama ChatGPT Work e é, segundo a TechCrunch, uma versão adaptada da ferramenta de codificação da empresa — só que para quem não escreve uma linha de código.
A promessa é dar a contadores, investidores, médicos e qualquer profissional que vive no computador o mesmo tipo de agente autônomo que engenheiros de software já têm: uma IA que não só responde perguntas, mas entrega tarefas prontas — planilhas, slides, documentos, aplicativos web — trabalhando sozinha por horas, dividindo projetos complexos em etapas.
Adoção ainda é baixa fora da engenharia
Os números mostram a distância entre times técnicos e o resto da empresa. Em junho, 98% dos funcionários da OpenAI usavam o Codex. Entre assinantes organizacionais, a adoção cai para 17%. Entre assinantes individuais, para menos de 1%.
Ainda assim, a base do Codex cresceu: mais de 5 milhões de pessoas usam a ferramenta toda semana, e mais de 1 milhão já a aplicam fora do desenvolvimento de software — sinal, para a empresa, de que o apetite por agentes generalistas existe.
O que dizem os executivos
"O ChatGPT pode fazer tarefas inteiras e muito complicadas de forma totalmente autônoma, de um jeito que é agradável e seguro", disse Thibault Sottiaux, que lidera o produto central da OpenAI, incluindo o Work, à TechCrunch.
Andrew Ambrosino, do time técnico do app Codex, testa a própria receita no fluxo de trabalho: conecta o ChatGPT a e-mail, Slack, telefone e outras ferramentas do dia a dia.
A base de usuários da OpenAI já passa de 1 bilhão de pessoas interagindo com o ChatGPT — a aposta da empresa é que parte delas migre de perguntas simples para agentes que executam tarefas completas sozinhos.
O que ainda falta responder
A reportagem da TechCrunch aponta desafios não resolvidos: configuração de permissões considerada confusa, diferenças de funcionalidade entre as versões web e mobile, e falta de clareza sobre os chamados níveis de esforço do agente. Falta saber se a OpenAI vai divulgar números de adoção do ChatGPT Work em si — hoje, os dados públicos ainda são do Codex — e se a promessa de autonomia segura resiste ao uso em massa fora de ambientes técnicos.
Atualização (25/08, 09:55): Atualização (25/08/2026): Em entrevista ao TechCrunch, Thibault Sottiaux, head of product da OpenAI (responsável por API, infraestrutura de agentes, produtos empresariais, ChatGPT e Codex, e que reporta diretamente a Greg Brockman), detalhou números e lançamentos que reforçam a estratégia de expansão dos agentes de IA para além dos programadores. Segundo ele, o ChatGPT Work — que abriga o Codex — atingiu a marca de 20 milhões de usuários, patamar citado por Sottiaux como evidência do apetite do mercado pela tecnologia: "We definitely see that the world seems to be ready. This is why we've had incredible adoption" ("Definitivamente vemos que o mundo parece estar pronto. É por isso que tivemos uma adoção incrível", em tradução livre).
A OpenAI também lançou um novo plugin de integração com o Apple Messages para o app de desktop do ChatGPT em Macs com chip Apple Silicon, disponível dentro do ChatGPT Work e do Codex (mas não no ChatGPT padrão). A ferramenta permite que o agente leia, busque, resuma, redija e envie mensagens de iMessage, SMS e RCS diretamente pelo desktop, com aprovação manual obrigatória antes de cada envio como proteção contra erros, e processamento local dos dados por motivos de privacidade.