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Mercado26 de set. de 2026, 16:39

Optimus produz só "centenas" por semana e meta de 20 mil segue distante

Tesla converteu as linhas do Model S e Model X para fabricar o robô humanoide, mas segundo o The Information a produção real ainda está longe da meta de 20 mil unidades semanais.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A conta que não fecha ainda

Vinte mil unidades por semana é a meta que a Tesla colocou para o Optimus. A produção real, segundo apuração do site The Information — veículo de jornalismo de tecnologia por assinatura conhecido por furos sobre bastidores do Vale do Silício —, ficou em "algumas centenas" de robôs semanais em agosto. Na comparação, é dez vezes mais que o ritmo de dezenas de unidades por semana registrado no segundo trimestre deste ano. Mas ainda é uma fração pequena do objetivo final.

Linha de carro virou linha de robô

O detalhe que mostra a aposta da Tesla no projeto: a produção do Model S e do Model X foi encerrada em maio, e a fábrica de Fremont, que fazia os dois sedãs, foi redirecionada para o Optimus. Engenheiros e operários que trabalhavam nos carros passaram a montar o robô humanoide. É uma decisão que sacrifica capacidade de produção automotiva por um projeto ainda incapaz de rodar em escala.

Gargalo tem nome: mão do robô

O problema técnico central está nas mãos do Optimus. Cada uma tem mais de 100 parafusos e componentes pequenos que ainda precisam ser montados manualmente. Sensores de toque apresentam falhas de confiabilidade, e fornecedores externos, muitos deles na China, têm dificuldade de manter o padrão de qualidade quando o volume aumenta.

Quem ganha e quem perde com o atraso

Para a Tesla, o custo do atraso é duplo: perde capacidade de fabricar carros com desempenho já consolidado e ainda não consegue provar a tese de que o Optimus vira um novo pilar de receita em escala industrial. Quem perde mais imediatamente são os investidores que compraram a narrativa de Elon Musk — que prometeu em janeiro de 2025 que "vários milhares" de robôs estariam fazendo trabalho útil até o fim daquele ano, e precisou admitir, um ano depois, que o número real era zero. Quem ganha, por ora, é a concorrência em robótica humanoide, que ganha tempo para amadurecer enquanto a Tesla resolve problemas de manufatura considerados básicos para quem domina produção em massa de veículos.

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