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MercadoIA11 de set. de 2026, 11:14Atualizada em 12 de set. de 2026, 00:48

Oracle bate expectativas com boom da IA e ações sobem 7% após balanço

Receita da Oracle cresceu 30% no trimestre e a carteira de contratos chegou a US$ 664 bilhões, puxada pela demanda por computação para IA. As ações reagiram com alta de 7% no after-market.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 664 bilhões em contratos represados

US$ 664 bilhões. Esse é o tamanho da carteira de contratos (RPO, na sigla em inglês) que a Oracle acumulou até o fim do primeiro trimestre fiscal, um salto de US$ 209 bilhões frente ao mesmo período do ano anterior e acima dos US$ 639,89 bilhões esperados pelo mercado. A empresa somou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem para IA apenas neste trimestre. Com a receita total subindo 30%, para US$ 19,3 bilhões, e a receita de infraestrutura de nuvem disparando 121%, para US$ 7,4 bilhões, o mercado reagiu bem: as ações da Oracle subiram 7% nas negociações após o pregão.

Um alívio depois de um ano turbulento

O resultado chega em um momento delicado para a Oracle, cujas ações acumulavam queda de mais de 20% no ano até o balanço, pressionadas por dúvidas sobre o megaprojeto Stargate — parceria bilionária de infraestrutura de IA — e por um rebaixamento de crédito pela agência S&P Global. O tombo de 5,38% no pregão regular antes da divulgação mostra o quanto os investidores estavam nervosos; a recuperação para US$ 159,58 no after-market é o contraponto direto a esse ceticismo.

Capacidade que não para de crescer

A empresa colocou 850 megawatts de nova capacidade de data center em operação entre junho e agosto, e entregou mais de 300 mil GPUs a clientes de nuvem de IA desde o fim do trimestre anterior — quase o triplo do que havia entregado no trimestre passado. Segundo a diretora financeira Hilary Maxson, boa parte dos novos pedidos veio por meio de pré-pagamento e uso de hardware próprio do cliente, um detalhe que ajuda a explicar como a empresa sustenta a expansão sem depender só de dívida. Para o ano fiscal de 2027, a Oracle elevou a projeção de receita para pelo menos US$ 90 bilhões e o lucro ajustado por ação para US$ 8,10.

Quem ganha e quem perde

A Oracle ganha o que faltava: prova de que a aposta pesada em infraestrutura de IA está convertendo em contrato firmado, não só em promessa. Investidores que seguraram a ação durante a queda de mais de 20% no ano saem numericamente aliviados. Do outro lado, o resultado aumenta a pressão sobre rivais de nuvem — AWS, Microsoft Azure e Google Cloud — para mostrar que também conseguem transformar a corrida por capacidade de IA em receita recorrente, e não apenas em capex crescente.


Atualização (12/09, 00:48): A Oracle informou, em documento enviado a reguladores, que o custo do seu plano de reestruturação subiu mais US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões), atingindo um total de US$ 2,8 bilhões no ano fiscal de 2026 — ante os US$ 2,1 bilhões previstos anteriormente. A divulgação integra o mesmo ciclo de resultados que já havia mostrado receita 30% maior, para US$ 19,3 bilhões, e que impulsionou as ações da empresa.

Os recursos adicionais cobrem cortes de funcionários, rescisões de contratos e outras despesas de redução de custos. A empresa já eliminou cerca de 21.000 posições ao longo do ano fiscal, uma queda de 13% no quadro total, ao mesmo tempo em que amplia investimentos em infraestrutura de data centers para atender à demanda por inteligência artificial.

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