Orion: o pad de colchão com IA de US$ 2.195 que resfriou a cama toda
O Orion troca a lógica de 'achar o lado fresco do travesseiro' por um pad inteligente que resfria e aquece o colchão inteiro via IA, cobrando US$ 2.195 por isso. Ele entrega experiência de verdade ou é só mais um hardware caro de nicho?
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Um travesseiro fresco não basta mais
Quem nunca virou o travesseiro no meio da noite atrás daquele lado gelado que atire a primeira pedra. O problema é que esse alívio dura segundos. A startup americana Orion Sleep, fundada em 2025 pelo empreendedor Harry Gestetner, resolveu atacar o problema pela raiz: em vez de um lado fresco, a cama inteira vira zona de conforto térmico, controlada por um pad inteligente com inteligência artificial vendido por US$ 2.195 (por volta de R$ 12 mil na cotação atual, sem impostos de importação).
Como funciona o sistema
O Orion não é um colchão novo, e sim um mattress pad — uma capa acoplada a uma torre de controle do tamanho de um criado-mudo, que bombeia água por tubos internos para esquentar ou esfriar a superfície. O produto aprende o horário em que a pessoa costuma dormir e começa a resfriar a cama antes disso, intensifica o efeito durante o sono profundo e devolve a temperatura ambiente perto do horário de acordar. Para casais, dá para dividir o pad em duas zonas com cronogramas independentes.
Além do controle térmico, o app da Orion registra dados de sono: duração do sono leve, profundo, REM e quantas vezes a pessoa se mexe ou acorda durante a noite. É a mesma promessa de outros wearables de sono, só que aplicada à cama inteira em vez de um anel ou pulseira.
Vale o preço no Brasil?
Comparado à concorrente direta Eight Sleep, cujo modelo equivalente sai por US$ 3.000, o Orion chega mais barato — mas "mais barato" aqui ainda significa o preço de um notebook topo de linha só para dormir melhor. Gestetner, que já havia vendido sua empresa anterior, a plataforma de monetização para criadores Fanfix, por cerca de US$ 65 milhões, afirma que a meta de longo prazo é baixar o preço do produto para US$ 500. Até lá, é hardware de nicho.
No Brasil, sem previsão oficial de venda, importar um Orion significaria pagar o dólar convertido mais frete internacional e imposto de importação — facilmente dobrando o valor final. E há outro ponto que pesa na balança: os dados de sono coletados pelo pad são enviados à nuvem, o que abre uma superfície de risco a mais caso a empresa sofra uma violação de segurança. É o tipo de trade-off que qualquer gadget de bem-estar conectado impõe.