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Mercado09 de out. de 2026, 11:41

Orkut: criador usa petição para cobrar rede social sem algoritmo e IA

Doze anos após o fechamento do Orkut, Orkut Büyükkökten publicou carta e petição criticando algoritmos, bots e inteligência artificial, propondo uma nova rede social. Brasil já responde por mais de 70% das assinaturas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Carta encerra suspense de contagem regressiva

Depois de dias de expectativa gerados por uma contagem regressiva misteriosa no site orkut.com, o enigma foi resolvido em 8 de outubro: não é o retorno da rede social, mas uma carta pública de Orkut Büyükkökten, cientista da computação turco-americano que criou o Orkut em 2004, acompanhada de uma petição online. Doze anos depois do encerramento oficial do serviço pelo Google, em 30 de setembro de 2014, o criador volta a falar diretamente com o público que um dia fez do Orkut a maior rede social do Brasil, com mais de 36 milhões de usuários no auge — a maior base do mundo ao lado da Índia.

O que diz a carta

No texto, que abre com a frase "Oi de novo. Sou eu, o Orkut", Büyükkökten faz uma crítica direta ao modelo atual das redes sociais. Segundo ele, feeds otimizados para engajamento, e não para conexão genuína, transformaram plataformas em ferramentas de disputa por atenção e venda de dados a anunciantes, deixando uma geração mais ansiosa, dividida e solitária. O criador também questiona o avanço da inteligência artificial: mesmo reconhecendo que a tecnologia é "extraordinária", ele alerta que bots, deepfakes e perfis que simulam comportamento humano erodem o que tornava as redes sociais um espaço especial — a certeza de que havia uma pessoa real do outro lado da tela.

O que a petição propõe

A petição, disponível em nove idiomas, incluindo português, pede nome, faixa etária, país e e-mail de quem assina. O documento é claro: assinar não garante acesso antecipado a uma eventual plataforma nem vaga em lista de espera. Trata-se, por ora, de um termômetro de interesse por uma alternativa às redes atuais, com foco em pessoas e comunidades em vez de algoritmos. Quem assina recebe um código individual e cartões virtuais para convidar amigos, explicando por que os indicou para a possível nova rede.

O que está em jogo

Para Büyükkökten, a mobilização é uma tentativa de testar se existe apetite real por uma rede social desenhada com outras prioridades, antes de qualquer anúncio formal de produto, data de lançamento ou recursos — nada disso foi detalhado até agora. Para quem assina, especialmente no Brasil, onde mais de 70% das adesões à petição já se concentram, é a chance de reviver, ainda que simbolicamente, o que fazia do Orkut um fenômeno nacional: comunidades, depoimentos e a sensação de proximidade que as redes atuais, segundo o próprio criador, perderam pelo caminho.

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