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Ciência19 de set. de 2026, 10:59

Os motores que podem levar a humanidade ao espaço profundo

Coluna Olhar Espacial, de Marcelo Zurita, discute quais tecnologias de propulsão podem viabilizar viagens mais rápidas a Marte e além — da propulsão nuclear térmica aos motores a plasma testados pela NASA.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Uma viagem tripulada a Marte com a tecnologia química atual — a mesma usada em quase todo lançamento desde os anos 1960 — leva cerca de sete meses só de trajeto. É tempo demais exposto à radiação cósmica, com comida, água e combustível limitados. Foi esse o ponto de partida da coluna "Olhar Espacial" desta sexta-feira (18), assinada por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros: quais motores podem, de fato, levar a humanidade mais longe?

O que está confirmado

O debate sobre motores para espaço profundo gira, hoje, em torno de duas grandes famílias de tecnologia nuclear. A propulsão nuclear térmica (NTP) usa um reator para aquecer hidrogênio líquido, que se expande e é expelido em alta velocidade — dobrando a eficiência dos melhores motores químicos atuais, segundo a NASA, agência espacial americana. Já a propulsão nuclear elétrica (NEP) usa um reator para gerar eletricidade que alimenta propulsores iônicos, ideais para viagens longas por operarem de forma contínua, embora com empuxo bem mais baixo — é a diferença entre um sprint e uma maratona. Outra linha de pesquisa é a propulsão a plasma, como o conceito VASIMR, que usa ondas de rádio pra ionizar um propelente e pode atingir eficiência muitas vezes maior que a dos foguetes convencionais.

A hipótese dos prazos

Vale separar o que já é realidade do que ainda é promessa. Em junho de 2025, equipes do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA testaram um propulsor a plasma que atingiu mais de cinco vezes a potência dos sistemas elétricos atuais — um avanço real, mas ainda em fase de bancada. Já o programa DRACO, parceria entre a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa) e a NASA que pretendia demonstrar em voo um motor nuclear térmico, foi cancelado em 2025: o orçamento da NASA para o ano fiscal de 2026 zerou o financiamento tanto para propulsão nuclear térmica quanto elétrica, citando custos altos e prazos longos de desenvolvimento frente a alternativas mais imediatas.

Por que isso importa

O intervalo entre o que a ciência já demonstra em laboratório e o que efetivamente voa é o cerne da discussão levantada pela coluna: motores mais potentes reduziriam tempo de viagem, exposição à radiação e custo logístico de missões tripuladas — mas a decisão de investir ou não nessas tecnologias segue sendo tanto uma questão de engenharia quanto de prioridade orçamentária das agências espaciais.

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