
Oura mira IPO em setembro com valuation acima de US$ 16 bilhões
A fabricante do anel inteligente busca captar até US$ 3 bilhões em oferta pública nos EUA, quase 50% acima do valuation de US$ 10,9 bilhões que tinha há menos de um ano.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 16 bilhões: o salto de valuation que a Oura quer confirmar na bolsa
O número que importa é US$ 16 bilhões — o valuation que a Oura, fabricante finlandesa do anel inteligente de saúde e sono, pretende validar em uma oferta pública inicial (IPO) que pode acontecer já em setembro nos Estados Unidos. Segundo apuração da Bloomberg e do TechCrunch, a empresa e parte de seus investidores buscam levantar até US$ 3 bilhões na operação, com uma fatia relevante da oferta vindo da venda de ações por acionistas já existentes.
O múltiplo que impressiona
A conta é simples e generosa: há menos de um ano, em setembro de 2025, a Oura foi avaliada em US$ 10,9 bilhões ao fechar uma rodada Série E de US$ 875 milhões, liderada por Fidelity, ICONIQ, Whale Rock e Atreides. Se o IPO confirmar o valuation de US$ 16 bilhões, o salto será de quase 50% em cerca de 12 meses — um múltiplo que só se sustenta com a curva de receita que a empresa vem mostrando: de US$ 500 milhões faturados em 2024 para cerca de US$ 1 bilhão em 2025, com projeção de dobrar novamente, para perto de US$ 2 bilhões, em 2026.
Quem ganha e quem perde
Os grandes vencedores, no papel, são os investidores da Série E e rodadas anteriores, que veem o valuation quase dobrar em menos de um ano e terão liquidez parcial já na oferta. A Oura também sai fortalecida como líder de categoria num mercado que aquece: ela disputa espaço direto com o Galaxy Ring da Samsung e com a Whoop, avaliada em US$ 10 bilhões em março. Do lado do risco, ficam os futuros acionistas de mercado, que herdam um passivo jurídico recente — uma ação coletiva proposta em agosto de 2026 acusa a empresa de exagerar a precisão do rastreamento de sono dos anéis, tema que pode pesar no apetite de investidores institucionais durante o roadshow.
O momento do mercado de IPOs
A operação da Oura entra numa janela concorrida: a empresa se junta a SpaceX e OpenAI na leva de grandes IPOs de 2026. Com 900 funcionários e escritórios em São Francisco e na Finlândia, a Oura evoluiu de nicho biohacker para consumo de massa — e agora terá de provar em bolsa que o crescimento de receita justifica pagar quase o triplo do valuation que tinha há dois anos.