
Oura mira US$ 16 bi em IPO enquanto rivais avançam no mercado de anéis
A fabricante do anel inteligente Oura arquivou pedido de abertura de capital nos EUA com receita de US$ 1,21 bilhão, mas Ultrahuman, Circular, RingConn e Samsung disputam espaço na categoria que ela ajudou a criar.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 16 bilhões é o número que a Oura quer validar em Wall Street
A Oura, fabricante finlandesa do anel inteligente que virou sinônimo de rastreamento de sono e saúde, arquivou pedido de IPO nos Estados Unidos em 3 de setembro com valuation estimado em US$ 16 bilhões. Os números do prospecto sustentam a ambição: receita de US$ 1,21 bilhão nos nove meses encerrados em 30 de junho, salto de 74% ante os US$ 697,6 milhões do mesmo período do ano anterior. A empresa vendeu 3,1 milhões de anéis nesse intervalo — contra 1,8 milhão um ano antes — e já soma cerca de 5 milhões de membros pagantes, com receita de assinaturas de US$ 240,5 milhões, alta de 121%.
O lucro que interessa ao investidor
O prejuízo líquido atribuído aos acionistas foi de US$ 924,3 milhões no período, distorcido por encargos contábeis pontuais ligados à estrutura de capital pré-IPO. Olhando a operação no dia a dia, a Oura reportou lucro líquido ajustado de US$ 60,8 milhões, ante apenas US$ 1,6 milhão um ano antes — o tipo de virada que justifica múltiplo agressivo em oferta pública. É a métrica que bancos e investidores vão citar para defender o preço da ação.
Quem ameaça a coroa
O domínio da Oura, porém, não é unânime. A americana Whoop e uma leva de rivais menores testam brechas na categoria que ela liderou sozinha por anos. A indiana Ultrahuman, banda e anel de rastreamento de saúde apoiada pela Qualcomm Ventures, lançou o Ring Pro por US$ 479, com processador dual-core e sensor cardíaco redesenhado, chegando aos EUA em setembro — mesmo após sofrer, em outubro de 2025, proibição de importação no país por disputa de patente que a Oura venceu na Comissão de Comércio Internacional dos EUA. A Circular, rival europeia de anéis inteligentes, prepara para o início de 2027 a linha Ring 3 com NFC para pagamentos e detecção de fibrilação atrial na versão Pro. Já a RingConn, fabricante asiática de wearables, lançou em maio o Gen 3 por US$ 349 com foco em saúde vascular. A Samsung também empurra o Galaxy Ring, por US$ 399 desde 2024, embora ainda atrás em recursos como detecção de apneia do sono. Até a chinesa Dreame, mais conhecida por aspiradores robôs, anunciou um anel na CES 2026 com touchpad e alertas hápticos.
O placar real do mercado
Os números de participação de mercado explicam por que a disputa esquenta: nos EUA, a fatia da Ultrahuman saltou de 11,5% em 2024 para 24,6% no segundo trimestre de 2025, antes de recuar a dígito único após a barreira de importação — enquanto a Oura subiu de 63,3% para 85% no mesmo intervalo. Global e localmente, a Oura segue líder folgada, com mais de dois terços do mercado mundial. Para o investidor que vai analisar o prospecto, a lição é dupla: a barreira de patente comprou tempo, não imunidade, e cada trimestre sem um novo produto de peso é uma janela aberta para os concorrentes.