
Oura processa Ultrahuman de novo e ameaça volta do rival aos EUA
A Oura acusa a Ultrahuman de violar duas patentes com o anel Ring Pro e pede indenização e banimento das vendas nos EUA, menos de dois meses após o rival reconquistar o mercado americano.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Duas patentes, um histórico de três anos de disputa
A Oura, fabricante finlandesa do anel inteligente Oura Ring voltado a rastreamento de sono e saúde, entrou com uma nova ação judicial contra a Ultrahuman, startup indiana rival que fabrica o anel Ring Pro, alegando violação de duas patentes. A queixa foi protocolada na quinta-feira (22) em uma corte federal do Texas e é o terceiro capítulo de uma briga que já dura desde 2023, quando a Oura processou a Ultrahuman pela primeira vez por causa do modelo Ring Air.
O que está em jogo
As patentes citadas são a D804.471, que cobre o design do anel, e a 12.769.363, concedida em 20 de outubro — apenas dois dias antes do processo ser aberto. Essa patente mais recente abrange elementos internos como bateria curva, placa de circuito, ímãs e sensores. A Oura pede indenização por danos e uma injunção permanente para impedir a venda do Ring Pro nos Estados Unidos. O processo também nomeia a SVTronics, fabricante de eletrônicos sediada em Plano, no Texas, acusada de produzir o Ring Pro sob direção da Ultrahuman.
Quem vinha ganhando até agora
Em agosto de 2025, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA (ITC) decidiu a favor da Oura em um caso separado, resultando em banimento de importação do Ring Air a partir de outubro daquele ano — a mesma ação também puniu a RingConn, que depois fechou acordo de licenciamento com a Oura. Para contornar o bloqueio, a Ultrahuman lançou em fevereiro de 2026 o Ring Pro redesenhado, que obteve decisão favorável da alfândega americana (CBP) em março, abrindo caminho para o retorno da marca ao mercado dos EUA.
Quem ganha e quem perde
Agora a Oura argumenta que a aprovação da CBP cobriu apenas uma patente específica, não as duas agora alegadas — na prática, tentando fechar a brecha que permitiu a volta do rival. Um porta-voz da Oura afirmou que a "Ultrahuman tem histórico de copiar inovações da Oura", citando a decisão da ITC de 2025. Já o CEO da Ultrahuman, Mohit Kumar, rebateu dizendo que a Oura "optou por alegar patentes diferentes, incluindo uma concedida apenas dois dias antes do processo". O caso ocorre em um momento sensível para ambas: a Oura arquivou pedido de IPO de US$ 2,2 bilhões em setembro, enquanto a Ultrahuman levantou US$ 70 milhões no mesmo mês. A Oura também mantém processos contra Samsung, Circular e Zepp Health, consolidando uma estratégia agressiva de defesa de propriedade intelectual no mercado de anéis inteligentes.