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Ciência25 de ago. de 2026, 22:29

Pacific Fusion inicia obra de instalação que quer se autoalimentar até 2030

A startup americana começou a construir em Albuquerque, no Novo México, o sistema de demonstração que promete gerar mais energia do que consome. A meta declarada é de 2030 — ainda não é geração de eletricidade comercial.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: cada pulso da máquina que a Pacific Fusion está construindo em Albuquerque, no Novo México, deve liberar cerca de 100 megajoules de energia em uma fração de segundo — dez vezes mais do que o maior laser de fusão em operação hoje, o National Ignition Facility, nos Estados Unidos. É nessa instalação, batizada de Demonstration System, que a startup começou as obras em 25 de agosto, segundo reportagem do TechCrunch.

O que já é fato

A Pacific Fusion foi fundada em 2023 por Carrie von Muench (hoje COO) e Keith LeChien (CTO), e levantou mais de US$ 1 bilhão em uma rodada Série A liberada por etapas, conforme marcos técnicos são atingidos — uma das captações mais robustas do setor de fusão privada. Parte desse valor está indo para um campus de pesquisa e manufatura de US$ 1 bilhão em Albuquerque, segundo anúncio da governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham.

A tecnologia da empresa é conhecida como pulsed power (energia pulsada): pulsos elétricos intensos e coordenados criam um campo magnético que comprime um combustível do tamanho de uma borracha de lápis até condições de fusão — abordagem parecida com a da Z Machine, do Sandia National Laboratories. O sistema final terá 156 módulos pulsadores, cada um com 32 estágios montados a partir de blocos básicos com dois capacitores e uma chave, fabricados em série e projetados para caber em contêineres de transporte. Em junho, a empresa já havia testado um protótipo que liberou 440 gigawatts em um pulso de 80 nanossegundos, resultado que destravou a etapa seguinte do investimento.

O que ainda é meta

Aqui está a parte que ainda não aconteceu: a Pacific Fusion diz que esse Demonstration System vai atingir o chamado net facility gain — produzir energia suficiente para alimentar toda a instalação, e não apenas o processo de fusão em si — até 2030. É uma barra mais alta do que o simples ganho científico já demonstrado por outros laboratórios, mas ainda não é geração de eletricidade para a rede. Segundo a empresa, um reator comercial precisaria gerar cerca de cinco vezes mais energia do que esse sistema de demonstração, com operação de usina comercial prevista para meados da década de 2030.

O tabuleiro da fusão privada

A disputa por ser a primeira fusão comercial do mundo tem vários competidores mirando o mesmo horizonte. A Helion Energy, apoiada pela Microsoft, projeta seu reator Orion operando no estado de Washington entre 2028 e 2029, com 50 megawatts de potência. Já a Commonwealth Fusion Systems, spin-off do MIT, planeja sua usina ARC na Virgínia para o início dos anos 2030, com meta de 400 megawatts líquidos para a rede. Nenhuma dessas promessas foi cumprida até agora — todas dependem de marcos técnicos que ainda precisam ser validados publicamente, caso a caso.

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