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Ciência05 de out. de 2026, 09:49

Pacífico envelhece de um lado e rejuvenesce do outro com aquecimento global

Estudo na revista AGU Advances mostra que águas subtropicais do Pacífico Norte estão ficando mais 'antigas' e perdendo oxigênio, enquanto águas tropicais, ao contrário, ficam mais 'jovens'. O achado reforça que o aquecimento global não afeta o oceano de forma uniforme.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine o oceano como uma pilha de camadas de água que levam décadas para subir e descer entre a superfície e as profundezas. É esse tempo de trânsito — quanto tempo uma massa de água passou isolada da atmosfera — que os cientistas chamam de 'idade' da água. E, segundo um novo estudo, o aquecimento global está mudando essa idade de formas opostas dentro do mesmo oceano.

O que foi confirmado

A pesquisa, publicada na revista científica AGU Advances (publicação da American Geophysical Union, sociedade internacional de geociências) sob o DOI 10.1029/2025AV002278, usou simulações de modelos de circulação oceânica e comparações com 14 modelos climáticos para projetar o comportamento do Pacífico sob aquecimento.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O resultado, segundo o Olhar Digital e confirmado pela cobertura da Eos (publicação editorial da própria AGU), é contraintuitivo: nas águas subtropicais do Pacífico Norte — que hoje são bem ventiladas e ricas em oxigênio — o aquecimento tende a deixá-las mais 'velhas' e com menos oxigênio dissolvido. Já nas águas tropicais, historicamente mais pobres em oxigênio e mais 'antigas', a tendência projetada é o oposto: elas ficam relativamente mais 'jovens' e ganham oxigênio.

O estudo, liderado por pesquisadores da Scripps Institution of Oceanography, instituto de pesquisa oceanográfica da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego), atribui o fenômeno a uma desaceleração das velocidades verticais da água. Dois mecanismos estariam em jogo: o aquecimento local comprime a circulação do giro subtropical do Pacífico Norte em uma camada mais rasa, reduzindo a ventilação na base da termoclina (faixa de profundidade entre 200 e 1.000 metros); e o aquecimento remoto no Oceano Antártico altera, via ondas oceânicas, o afloramento de águas antigas e pobres em oxigênio nas regiões tropical e subtropical do Pacífico.

O que ainda é hipótese

Os autores tratam esses mecanismos como a explicação mais consistente encontrada nos modelos até agora — não como certeza absoluta. Modelos climáticos carregam margem de incerteza, e os próprios pesquisadores apresentam o resultado como um padrão contrastante que precisa de mais observações de campo para ser plenamente validado.

O que fica claro é que tratar o oceano como um bloco único que simplesmente esquenta e perde oxigênio por igual é simplificação demais. Regiões vizinhas do mesmo oceano podem responder de formas opostas à mesma força — o que complica tanto a modelagem climática quanto a previsão de impactos sobre a vida marinha.

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