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MercadoIA06 de nov. de 2026, 07:45

PACs de IA gastaram milhões no Congresso dos EUA — e perderam a maioria das apostas

Comitês ligados a OpenAI e Anthropic despejaram dezenas de milhões de dólares em candidatos nas eleições de meio de mandato de 2026, mas boa parte dos nomes apoiados saiu derrotada das urnas. Grupos já miram 2028.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 27,38 milhões só nas primárias

A Leading the Future (LTF), rede de comitês de ação política alinhada à OpenAI, empresa americana dona do ChatGPT, gastou US$ 27,38 milhões apenas na fase de primárias das eleições de meio de mandato de 2026 nos EUA — dos quais US$ 8 milhões foram usados para tentar derrotar o deputado estadual Alex Bores, de Nova York, crítico da falta de regulação da indústria. A cifra, revelada pela TechCrunch com base em registros eleitorais, mostra o tamanho da aposta política que big techs de IA fizeram para tentar moldar a composição do Congresso americano — e os resultados, até aqui, estão longe de ser os esperados pelo setor.

Quem pagou e quem perdeu

American Mission e Building the Future, dois comitês ligados à LTF e financiados por Greg Brockman (presidente da OpenAI) e pela gestora de venture capital Andreessen Horowitz, gastaram juntos US$ 4,8 milhões para apoiar a candidata ao Senado pela Carolina do Sul Darline Graham — que perdeu a eleição. A American Mission também investiu mais de US$ 500 mil em cada um dos candidatos republicanos à Câmara Aaron Flint, no Montana, e Laurie Buckhout, na Carolina do Norte. Ambos foram derrotados.

Do lado da regulação, a Public First — PAC financiada pela Anthropic, empresa de IA rival da OpenAI que defende regras mais rígidas para o setor, destinou US$ 3 milhões a um comitê que apoiava o senador estadual californiano Scott Wiener, autor de propostas de controle sobre a tecnologia. Já a Guardrails Alliance, ligada a trabalhadores do setor de tecnologia, gastou mais de US$ 1 milhão cada para tentar derrotar o deputado californiano Jimmy Gomez e o já citado Aaron Flint — ambos perderam — e US$ 300 mil a favor de Angela Gonzales-Torres, que venceu.

O placar geral favoreceu os democratas

Levantamento da Fortune que cruza os mesmos dados de doações aponta que PACs de IA somaram cerca de US$ 79 milhões investidos em 68 cadeiras do Congresso neste ciclo eleitoral, com a LTF sustentada por aportes de US$ 25 milhões cada de Marc Andreessen, Ben Horowitz e Greg Brockman. O padrão que emerge é claro: candidatos democratas apoiados pelos PACs tiveram desempenho melhor nas urnas do que os republicanos patrocinados pelas mesmas redes, que perderam a maioria das corridas em que entraram pesado.

Próximo capítulo já começou

Mesmo com resultados mistos, os grupos sinalizam que não vão recuar. A LTF já projeta manter gastos pesados rumo ao ciclo eleitoral de 2028, enquanto a Guardrails Alliance promete continuar mirando candidatos alinhados à agenda desregulatória da indústria de IA. Para o setor, a lição de 2026 parece ser menos sobre vencer eleições pontuais e mais sobre construir músculo financeiro de longo prazo em Washington.

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