
Pagamentos do Spotify a podcasters sobem um terço; programa chega ao Brasil
O Spotify vai levar seu programa de monetização de podcasts a 35 novos países, incluindo o Brasil, depois que mudanças nas regras elevaram em um terço os pagamentos totais mensais aos criadores desde janeiro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Um terço a mais em pagamentos foi o gatilho da expansão
Esse é o número que o Spotify usa para justificar a maior expansão geográfica já feita em seu programa de parceiros para podcasts: desde que a empresa suavizou os critérios de elegibilidade para criadores de podcast em vídeo, em janeiro de 2026, o total de pagamentos mensais às produções cresceu um terço. Agora, o programa — até então restrito a Estados Unidos, Europa e Austrália — chega a 35 novos mercados, incluindo Brasil, México, Colômbia, Itália, Espanha, Polônia, Chile, República Dominicana e Bahamas, esta última com lançamento previsto para o outono do hemisfério norte.
Regras mais fáceis, consumo maior
A flexibilização de critérios não foi cosmética. Antes de janeiro, as exigências para entrar no programa eram mais rígidas; a nova barra de entrada pede ao menos três episódios publicados, 2.000 horas de consumo acumulado e 1.000 ouvintes engajados nos últimos 30 dias — um recorte que abriu a porta para produções de menor escala. O resultado, segundo o Spotify, foi um salto de 45% no consumo médio das séries que passaram a se qualificar, além de um crescimento de 140% no consumo de podcasts em vídeo desde que o formato foi lançado na plataforma, em 2022.
Como o criador ganha dinheiro
O modelo de receita combina duas fontes: impressões de vídeo assistidas por assinantes Premium e receita publicitária proveniente de usuários do plano gratuito. Criadores mantêm 100% do que arrecadam com patrocínios diretos e continuam livres para distribuir o mesmo conteúdo em outras plataformas — um desenho pensado para não prender o criador em exclusividade, mas ainda assim capturar parte crescente do tempo de consumo dentro do Spotify.
Por que o Brasil entra no radar agora
A chegada ao mercado brasileiro — um dos maiores consumidores de podcast da América Latina — reforça a corrida do Spotify contra YouTube e plataformas locais pela atenção de criadores de áudio e vídeo. Ao abrir monetização em 35 mercados de uma vez, a empresa aposta em capturar criadores emergentes antes que se fixem em outras plataformas, num momento em que o podcast em vídeo virou a frente de batalha mais disputada do setor de áudio digital.
Atualização (18/09, 00:56): Atualização (18/09/2026): O Spotify detalhou mais números da chegada do Partner Program ao Brasil, prevista para 20 de outubro. Segundo a empresa, o país entra na maior expansão do programa desde o lançamento, que passa a cobrir mais de 35 mercados na América Latina, Europa e Caribe. A companhia também citou indicadores do mercado local usados para justificar a expansão: o consumo de podcasts em vídeo cresceu 60% em um ano no Brasil, e o mercado brasileiro de podcasts como um todo cresceu 126% em cinco anos.
Para participar da monetização, criadores brasileiros precisarão reunir ao menos 10 mil horas de consumo e 2 mil ouvintes engajados nos últimos 30 dias, além de pelo menos três episódios publicados na plataforma Spotify for Creators.