
Painel digital de prefeitura demora 7,5 dias pra atualizar, aponta estudo
Levantamento da Kitcast mostra que painéis digitais em prédios públicos dos EUA levam em mediana 7,5 dias para atualizar conteúdo, mas 28% do que é exibido já tem mais de um ano no ar.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Clima e fila, mas pouca novidade
Nos EUA, painel eletrônico em prefeitura, terminal de ônibus ou secretaria de saúde é cada vez mais comum — e cada vez mais parado. Um levantamento da Kitcast, empresa americana de software de sinalização digital usada por prefeituras, aeroportos e redes de varejo, mostra que o conteúdo desses painéis no setor público leva em mediana 7,5 dias para ser atualizado. É rápido perto da média geral do mercado, que passa de duas semanas, mas ainda deixa o cidadão vendo aviso requentado.
Pior: 28% do que está programado para aparecer nas telas tem mais de um ano. Ou seja, mais de um quarto do conteúdo público exibido em telas de repartição nunca mais foi revisado desde que entrou no ar.
Onde a tela funciona (e onde trava)
O relatório, batizado de "State of Digital Signage 2026", cruzou telemetria anônima de milhares de telas com uma pesquisa de 515 gestores. No serviço público, 88% dos painéis mostram previsão do tempo — informação fácil de automatizar. Já wayfinding (orientação dentro do prédio) e tempo de espera em fila, que exigem integração com sistemas internos da prefeitura, aparecem bem menos.
Cada unidade pública tem em média 5 telas, acima da média geral de 4 registrada em outros setores, como varejo e saúde. Mais telas, porém, não significa mais gente cuidando delas: quem toca esses painéis costuma ser a mesma equipe de TI que resolve wi-fi e impressora, sem orçamento dedicado a conteúdo.
Em Grand Rapids, Michigan, exemplo citado pelo levantamento, o centro comunitário da cidade usa painel digital para divulgar informações de votação — um uso que sai do clima genérico e mira direto o cidadão local.
Quem paga a conta da tela ligada
Pavlo Fedykovych, porta-voz da Kitcast, resume a oportunidade: cidades e condados podem ir além do clima e usar conteúdo interativo, focado em serviço — wayfinding e tempo de espera incluídos. Falta, porém, o que esse tipo de relatório de mercado não responde: quanto cada prefeitura paga pelo software e pela manutenção do hardware, e se existe alguma fiscalização sobre o conteúdo exibido nesses espaços públicos. Sem essa camada, o risco é o painel virar só decoração cara — ligado, mas repetindo o mesmo aviso de sempre.