
Panic devolve a clientes do Playdate o dinheiro pago em tarifa considerada ilegal
Depois que a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais as tarifas de importação da era Trump, a fabricante do console portátil Playdate reembolsou integralmente quem pagou a taxa extra de 19%.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um problema que não era dela, mas ela resolveu
A Panic, estúdio por trás do simpático console portátil Playdate, começou em agosto a devolver aos clientes americanos o valor extra que eles pagaram por causa das tarifas de importação impostas pelo governo Trump. A taxa, de 19% sobre o preço do aparelho, foi cobrada como item separado no checkout enquanto esteve em vigor — e a empresa decidiu não embolsar um centavo da diferença depois que a cobrança foi derrubada na Justiça.
Como a treta das tarifas terminou
Foto: reprodução/engadget.com
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos confirmou que o pacote de tarifas da administração Trump era ilegal. A Panic parou de cobrar a taxa de 19% dos clientes em 21 de abril, mas o processo de reembolso levou meses para sair do papel: a empresa primeiro precisou solicitar e receber de volta o dinheiro do próprio governo americano, para só então montar um sistema interno capaz de rastrear quem tinha pago a mais e devolver o valor a cada um.
"Não era nosso dinheiro para guardar"
Cabel Sasser, CEO da Panic, resumiu a decisão em declaração direta: "Não era nosso dinheiro para guardar, e foi muito bom poder devolver. É uma forma fácil de saber que você tomou a decisão certa." A frase captura bem o contraste com boa parte do mercado — a maioria das empresas que vendem eletrônicos nos Estados Unidos foi afetada pelas mesmas tarifas, mas poucas discutiram publicamente devolver o valor a quem comprou durante o período. Entre as exceções estão gigantes de logística como FedEx, que também anunciaram reembolsos.
Por que isso importa para quem joga
O Playdate já é um produto de nicho, vendido por uma empresa pequena perto dos gigantes do setor, e ainda assim foi quem tomou a iniciativa — enquanto fabricantes bem maiores de consoles, incluindo a Nintendo, não fizeram o mesmo movimento até agora. Para a comunidade que acompanha o Playdate desde o Kickstarter original, o episódio reforça a reputação da Panic como empresa que trata o público como parceiro, não só como fonte de receita. É o tipo de gesto que custa caro no fluxo de caixa de uma empresa pequena, mas rende confiança — moeda que vale tanto quanto dinheiro em um mercado de nicho movido a fidelidade.