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IA01 de nov. de 2026, 22:00

Para CEOs de tecnologia, IA resolve até a solidão; para o resto, nem tanto

Um debate do podcast Equity, do TechCrunch, reuniu falas de executivos como Sam Altman e Mark Zuckerberg sobre usar IA para resolver solidão e paternidade — e expôs a distância entre o discurso do topo das big techs e a vida de quem não comanda uma.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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A ironia do topo

Em discussão recente do podcast Equity, do site americano TechCrunch, os apresentadores reuniram uma sequência de falas de executivos de inteligência artificial que, somadas, mostram uma desconexão entre o discurso do topo das big techs e o dia a dia de quem não comanda uma delas. Marissa Mayer, ex-CEO do Yahoo! e hoje à frente da startup de IA Dazzle AI, contou ter pedido à própria ferramenta ajuda para descrever uma tarefa escolar da filha. Sam Altman, da OpenAI, sugeriu que pais usem IA para criar podcasts personalizados para os filhos e disse que hoje não conseguiria educar os seus sem o ChatGPT.

Mark Zuckerberg, da Meta, foi na mesma direção: para ele, será cada vez mais aceitável que pessoas busquem companhia romântica ou social em chatbots, e a empresa já testa companions de IA no Facebook, no Instagram, no WhatsApp e nos óculos Ray-Ban. Whitney Wolfe Heard, fundadora do aplicativo de relacionamentos Bumble, foi além: descreveu um recurso de "IA concierge" que marcaria encontros entre assistentes virtuais antes de apresentar as próprias pessoas.

Os dois lados

Em bom português: um grupo de executivos bilionários está descrevendo a solidão e a sobrecarga doméstica como problemas que a própria IA resolve — produto que eles mesmos vendem. Há quem veja aí coerência: se a tecnologia já ocupa esse espaço na vida das famílias desses CEOs, por que não compartilhar a experiência? O problema é que a mesma falta de filtro já rendeu episódios de crítica pública a Altman, chamado de "tone deaf" (sem noção, em tradução livre) depois de agradecer publicamente a programadores por um trabalho que a própria IA tornou dispensável.

Também há divergência dentro do próprio setor: enquanto Zuckerberg defende os companions de IA como resposta à epidemia de solidão nos EUA, Altman já disse em depoimento ao Senado americano não gostar da ideia de um filho seu criar um vínculo de "melhor amigo" com um chatbot. A pergunta que fica sem resposta direta é simples: se os próprios criadores da tecnologia hesitam em aplicá-la à própria família do jeito que vendem para o público, o que isso diz sobre o produto?

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