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Mercado11 de ago. de 2026, 22:43

Paramount ameaça sair da Califórnia se acordo com Warner Bros. travar

David Ellison diz que pode tirar a Paramount da Califórnia a partir de 1º de outubro se o Estado não negociar a fusão com a Warner Bros. Discovery. Economia estimada: US$ 500 milhões por ano em impostos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 500 milhões por ano. É o que a Paramount economizaria em impostos se transferisse sua operação para fora da Califórnia — e é a cifra que David Ellison, CEO da empresa, colocou na mesa para pressionar o procurador-geral do Estado, Rob Bonta, a destravar a fusão com a Warner Bros. Discovery.

O ultimato

David Ellison durante entrevista Foto: reprodução/variety.com

Ellison apresentou o plano em reunião no dia 5 de agosto: se Bonta não negociar uma solução até 1º de outubro, a Paramount começa a se mudar para Tennessee, Texas ou Geórgia. A data não é aleatória. É quando passa a correr uma "ticking fee" — multa diária de US$ 7 milhões pagável aos acionistas da Warner Bros. Discovery — caso o negócio, avaliado em cerca de US$ 110 bilhões, continue travado pelo processo movido pela Califórnia e outros 11 Estados.

Quem ganha, quem perde

Se a ameaça vingar, o prejuízo recai sobre a Califórnia: são cerca de 30 mil empregos ligados à operação da Paramount no Estado que ficariam em risco, além do capital político de manter Hollywood como polo da indústria audiovisual. Do outro lado, Ellison ganha munição de barganha e sinaliza aos acionistas da Warner Bros. Discovery que está dando prioridade ao fechamento do acordo, blindando-se contra a multa bilionária embutida na demora.

A resposta do Estado

Rob Bonta não amoleceu. Chamou o movimento de mais uma tentativa de chantagear o Estado e garantiu que a manobra "não vai funcionar". Ellison, por sua vez, reforçou publicamente que pretende manter no sul da Califórnia a futura companhia resultante da fusão — o que torna a ameaça de mudança mais uma carta de pressão do que um plano definitivo, mas ainda assim uma carta cara: nenhuma gigante de mídia troca a base histórica em Los Angeles sem calcular o custo político da decisão.

O que vem agora

O relógio está correndo. Com a multa diária prestes a começar e o prazo de 1º de outubro se aproximando, a pressão está dos dois lados: a Paramount quer fechar a compra da Warner Bros. Discovery sem sangrar em multas, e a Califórnia não quer abrir mão de uma fatia relevante da indústria do entretenimento. Quem piscar primeiro define não só o destino da fusão, mas o mapa da produção audiovisual americana pelos próximos anos.

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