
Paramount fecha acordo com 12 estados dos EUA e destrava fusão de US$ 110 bi com a Warner
Paramount Skydance acertou um acordo com a Califórnia e mais 11 estados que processavam para barrar a compra da Warner Bros. Discovery, removendo o principal obstáculo jurídico ao negócio. Críticos, como a ex-chefe da FTC Lina Khan, dizem que os estados abriram mão de um caso forte.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que destrava o negócio
US$ 110 bilhões. É esse o valor da aquisição da Warner Bros. Discovery — uma das maiores empresas de mídia e entretenimento dos Estados Unidos, dona de HBO, CNN e Warner Bros. Pictures — pela Paramount Skydance, um dos maiores conglomerados de mídia dos EUA. Depois de meses de disputa judicial, a Paramount fechou um acordo com a Califórnia e outros 11 estados que haviam processado para bloquear a fusão, removendo o que era considerado o principal obstáculo legal ao negócio.
O que tirou os estados do caminho
A coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada por Rob Bonta, da Califórnia, alegava que a fusão concentraria poder demais nas mãos de uma única empresa, unindo duas das cinco grandes distribuidoras de cinema de Hollywood e ampliando o controle sobre o mercado de canais básicos a cabo. Segundo o processo original, a combinação das duas empresas resultaria em cerca de 27% do mercado de exibição de filmes em lançamento amplo.
Para destravar o acordo, a Paramount aceitou uma série de contrapartidas: um investimento de US$ 1,5 bilhão em produções na Califórnia, um fundo de saúde de US$ 17,5 milhões com proteções trabalhistas para funcionários da CBS e da CNN, o compromisso de lançar ao menos 30 filmes por ano nos cinemas (com multas em caso de descumprimento), a garantia de não relocar operações da Califórnia e a criação de um "conselheiro editorial" externo para supervisionar a CNN e a CBS News. A empresa também se comprometeu a operar os estúdios da Warner Bros. de forma separada por um período de transição.
Quem sai satisfeito — e quem não sai
Para a Paramount e a Warner Bros. Discovery, o acordo é vitória clara: elimina o maior risco jurídico que ainda pairava sobre uma das maiores fusões da história de Hollywood e acelera o caminho para o fechamento do negócio. Nem todos os estados, porém, assinaram embaixo com entusiasmo — a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, resistiu aos termos e pressionou por mais proteções trabalhistas, enquanto Connecticut e outros estados também tinham reservas.
Do lado de fora, a reação foi de indignação. Lina Khan, ex-presidente da FTC (agência antitruste dos Estados Unidos), classificou a fusão como "aparentemente ilegal" e disse que o processo movido pelos estados era muito forte para ser trocado por remédios comportamentais de difícil fiscalização. A crítica ecoou em manifestações da coalizão Block the Merger, com apoio de nomes como a senadora Elizabeth Warren e o ator Mark Ruffalo, que veem no acordo uma capitulação diante de uma concentração de mercado que, segundo eles, nunca deveria ter sido autorizada.