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Mercado06 de out. de 2026, 21:28Atualizada em 07 de out. de 2026, 03:50

Paramount fecha fusão de US$ 111 bi com Warner e cria a Skydance

Depois de quase um ano de disputa judicial e comercial, Paramount e Warner Bros. se tornam uma só empresa avaliada em R$ 552 bilhões. O negócio redesenha o mapa de poder do streaming e deixa Netflix e Disney observando de perto.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que redesenha Hollywood

US$ 111 bilhões — R$ 552 bilhões na cotação usada para medir o tamanho do negócio. É esse o valor da fusão que a Paramount, gigante de cinema e TV dona de estúdio, da emissora CBS e do streaming Paramount+, fechou com a Warner Bros., tradicional estúdio por trás de franquias como Harry Potter e DC, dando origem a um novo grupo batizado de Skydance. O fechamento, na terça-feira (06/10), encerra uma queda de braço que durou praticamente um ano e que teve Netflix e Comcast como concorrentes na disputa pelos ativos da Warner Bros. Discovery.

A nova Skydance Corporation passa a controlar, sob o mesmo teto, os estúdios Warner Bros. Pictures e Paramount Pictures, canais como HBO, CNN e MTV, e os serviços de streaming HBO Max, Paramount+ e Pluto TV — um portfólio que inclui de Missão Impossível e Top Gun a Game of Thrones e Yellowstone. Segundo a empresa, a receita anual combinada deve se aproximar de US$ 70 bilhões, mas o grupo também carrega uma dívida líquida de US$ 80 bilhões, que vai pressionar a gestão nos próximos trimestres.

Quem manda na nova gigante

O comando fica com David Ellison, fundador da Skydance Media e filho de Larry Ellison, cofundador da Oracle, que assume como presidente e CEO. Ao seu lado, Ynon Kreiz, ex-CEO da fabricante de brinquedos Mattel, entra como co-CEO responsável pela integração do dia a dia das duas operações — tarefa nada trivial quando se fala em consolidar equipes de dois estúdios centenários, redações de TV e múltiplos aplicativos de streaming.

A tentativa de barrar o acordo nas últimas horas

O fechamento quase não aconteceu na data prevista. Um grupo de assinantes da Paramount recorreu à Suprema Corte dos Estados Unidos pedindo à ministra Elena Kagan que suspendesse a conclusão do negócio até que uma ação alegando violação de regras antitruste fosse julgada. O pedido foi negado, e a fusão seguiu adiante. Antes disso, em julho, o próprio Departamento de Justiça americano já havia suspendido temporariamente a operação depois que procuradores-gerais de 12 estados, liderados pela Califórnia, entraram com ação contra o acordo.

Quem ganha e quem perde

No tabuleiro do streaming, a criação da Skydance reconfigura o equilíbrio de forças. A Warner Bros. Discovery chegou a rejeitar propostas da Paramount mais de uma vez, recomendando a seus acionistas um acordo com a Netflix — que, junto com a Comcast, também apresentou oferta formal pelos ativos de cinema e streaming da WBD. No fim, prevaleceu a oferta da Paramount pela companhia inteira, incluindo as redes de TV linear, o que tira da mesa uma peça histórica que tanto Netflix quanto Comcast queriam para si.

Para a Disney, maior rival direta em franquias e parques, o recado é que a concorrência por conteúdo blockbuster e por assinantes de streaming ganha um competidor ainda mais musculoso, com HBO Max e Paramount+ operando sob o mesmo comando. Já a Netflix perde a chance de incorporar ativos como HBO e a biblioteca da Warner, mas segue como a maior plataforma de streaming isolada do mundo — agora observando se a fusão vai gerar sinergias reais ou só uma gigante endividada tentando se organizar.


Atualização (07/10, 00:48): Depois de fechar a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões com a Warner Bros. Discovery, a Skydance confirmou que HBO Max, Paramount+ e Discovery+ vão se unificar em um único serviço de streaming — mas a integração não vai acontecer de uma vez. Por enquanto, os três aplicativos continuam operando separadamente enquanto a empresa combina as estruturas tecnológicas por trás de cada plataforma.

A companhia não detalhou cronograma exato, nome definitivo do serviço unificado, estrutura de preços nem se as assinaturas atuais serão migradas automaticamente. Em março, o CEO da Skydance, David Ellison, disse que a soma de Paramount+ e HBO Max resultaria em pouco mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor combinados — uma base que colocaria o novo serviço entre os maiores concorrentes diretos da Netflix.

A expectativa do mercado, segundo analistas, é de que a consolidação leve a um catálogo único mais robusto no longo prazo, mas também abra espaço para reajuste de preços conforme as plataformas deixarem de competir entre si.


Atualização (07/10, 03:50): A Skydance confirmou que HBO Max e Paramount+ vão se fundir em um único serviço de streaming, agora que a fusão de US$ 110 bilhões com a Warner Bros. Discovery foi concluída. Segundo comunicado da própria empresa, os dois aplicativos vão "se unificar em um único serviço com o tempo" (unify into a single service over time), mas ainda sem data de lançamento, nome definitivo do produto ou plano de migração de assinantes.

Em declarações anteriores, o CEO da Skydance, David Ellison, afirmou que a combinação de Paramount+ e HBO Max resultaria em uma base de pouco mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor somando as duas plataformas. Ellison também já havia sinalizado que a marca HBO deve ser preservada dentro do novo serviço — "HBO deve continuar sendo HBO", disse — sugerindo que ela funcione como uma submarca dentro do app unificado, em vez de desaparecer.

Por ora, HBO Max e Paramount+ continuam operando normalmente como apps separados, e a Skydance não detalhou se a unificação ocorrerá em meses ou anos, deixando em aberto também o nome comercial que o serviço combinado deverá adotar.

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