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Mercado05 de out. de 2026, 09:51

Paramount tem novo co-CEO antes de fechar fusão de US$ 110 bi com WBD

David Ellison, CEO da Paramount Skydance, nomeou Ynon Kreiz, que acabou de deixar o comando da Mattel, como co-CEO da empresa combinada com a Warner Bros. Discovery. A dupla assume dias antes do fechamento da fusão de US$ 110 bilhões, previsto para 6 de outubro.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 110 bilhões. É esse o valor da fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery, a gigante dona da HBO Max e da CNN, que está prestes a sair do papel — e ganhou, de última hora, um novo nome no comando. David Ellison, CEO da Paramount Skydance e filho do bilionário Larry Ellison, anunciou Ynon Kreiz como co-CEO da empresa combinada, dias antes do fechamento oficial do negócio, marcado para 6 de outubro.

A movimentação acontece logo depois de um juiz federal dar aval definitivo ao acordo antitruste que destravou a fusão, após a Paramount negociar com procuradores-gerais de 12 estados americanos. Como parte do acerto, a empresa combinada se comprometeu a lançar 30 filmes por ano nos dois primeiros anos pós-fusão, subindo para 32 anuais nos três anos seguintes, além de investir mais de US$ 1 bilhão em produção audiovisual nos Estados Unidos.

Quem é o novo nome no comando

Foto: reprodução/au.variety.com

Ynon Kreiz chega direto da Mattel, fabricante de brinquedos dona de marcas como Barbie e Hot Wheels, onde passou oito anos como CEO e é creditado por tirar a companhia de um prejuízo operacional de US$ 343 milhões em 2018 para o relançamento bem-sucedido da franquia Barbie no cinema em 2023. A notícia de sua saída já derrubou as ações da Mattel no pregão. Kreiz assume o novo posto em 5 de outubro, um dia antes do fechamento previsto da fusão com a Warner Bros. Discovery, a conglomerado de mídia que reúne estúdios, canais a cabo e o serviço de streaming HBO Max.

Quem manda em quê

A divisão de poder foi desenhada para evitar atrito: Ellison segue como chairman e CEO, concentrado em estratégia de longo prazo, visão criativa, relações com talentos, parcerias e alocação de capital — o lado "visão" do negócio. Kreiz, como co-CEO, assume a gestão do dia a dia e a integração das operações das duas empresas, além de ganhar uma cadeira no conselho de administração da companhia combinada. Na prática, Ellison decide para onde a empresa vai; Kreiz comanda a execução.

Quem ganha e quem perde

Para Ellison, a jogada compra experiência operacional comprovada num momento crítico: integrar dois estúdios, uma emissora de TV aberta (a CBS) e dois serviços de streaming concorrentes (Paramount+ e HBO Max) é uma tarefa logística gigantesca, e Kreiz tem histórico recente de reestruturar uma companhia grande e disfuncional. Para a Mattel, a saída abre um vácuo de liderança às vésperas da temporada de fim de ano, justamente quando a fabricante de brinquedos mais precisa de estabilidade. Já para o mercado, a mensagem é clara: Ellison está disposto a dividir poder — algo raro em fusões bilionárias comandadas por herdeiros de fortunas — para reduzir o risco de execução de um dos maiores negócios de mídia da história.


Atualização (01/10, 00:43): ## Juíza federal autoriza fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery

A fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros. Discovery (WBD), já noticiada com a chegada de um novo co-CEO à frente da empresa combinada, teve mais um obstáculo removido. Em 30 de setembro de 2026, a juíza federal Araceli Martínez-Olguín, da Corte Distrital dos EUA, aprovou o acordo firmado entre as empresas e uma coalizão de 12 estados americanos liderada pela Califórnia, que havia processado a operação por temer impactos negativos na concorrência dos mercados de cinema e televisão.

A decisão homologa um acordo fechado em 21 de setembro e impõe uma série de condições válidas por cinco anos: lançamento de pelo menos 30 filmes por ano em cinemas nos EUA (podendo chegar a 32 nos anos seguintes), investimento de US$ 300 milhões anuais em produção cinematográfica (totalizando ao menos US$ 1,5 bilhão no período), negociações separadas com operadoras de TV a cabo para os canais da Warner, manutenção de um serviço de streaming gratuito nos moldes do Pluto TV, e a criação de um conselho de independência editorial para supervisionar a CBS News e a CNN. O acordo também prevê um fundo de US$ 47,5 milhões para trabalhadores afetados e o pagamento de US$ 17,5 milhões ao fundo de saúde do sindicato de roteiristas. A juíza classificou o acordo como "razoável, tanto factual quanto legalmente" e rejeitou o argumento de que o conselho editorial violaria a Primeira Emenda.

Com a aprovação judicial — que vem após o aval da administração Trump concedido em junho de 2026 — a operação está liberada para avançar rumo à conclusão final, com mecanismos de monitoramento independente para garantir o cumprimento das obrigações assumidas.


Atualização (02/10, 12:55): David Ellison anunciou que a empresa combinada com a Warner Bros. Discovery adotará o nome de sua própria produtora, Skydance, mantendo Paramount e Warner Bros. como submarcas. A fusão deve ser concluída em 6 de outubro.


Atualização (02/10, 15:48): O fechamento previsto para 6 de outubro une Paramount e Warner Bros Discovery sob a marca Skydance, avaliando o negócio em cerca de US$ 110 bilhões e criando um novo comando bicéfalo no topo da mídia americana.

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