
Paris anuncia plano de € 200 milhões para criar 140 km de ciclovias
Prefeitura de Paris lançou a terceira etapa do seu plano de bicicletas, com obras previstas até 2032 e meta de zerar mortes no trânsito da cidade.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Paris quer decidir a corrida contra o carro na bicicleta
Paris anunciou um novo pacote de investimento de 200 milhões de euros para ampliar sua malha cicloviária entre 2027 e 2032. O plano, apresentado pelo prefeito Emmanuel Grégoire, prevê 140 quilômetros de novas ciclovias, mais 220 quilômetros de ruas com contrafluxo para bicicletas — onde o ciclista pode andar nos dois sentidos mesmo em vias de mão única para carros — e intervenções de segurança em 420 cruzamentos.
Terceiro ciclo de um plano que já mudou a cara da cidade
Batizado de "Plano Vélo, ato 3", o investimento é a terceira rodada de um programa que, desde a gestão da ex-prefeita Anne Hidalgo, transformou boa parte do centro parisiense em zona de prioridade para pedestres e ciclistas. A meta declarada da prefeitura é "zero mortes, zero feridos graves" no trânsito da cidade.
Paris já havia sinalizado a direção da política de mobilidade em fevereiro de 2024, quando moradores aprovaram em consulta pública o triplo da tarifa de estacionamento para veículos pesados. Em outubro de 2025, a prefeitura também assinou contratos de quatro anos com as operadoras de bicicletas e patinetes compartilhados Voi, Dott e Lime.
O que muda pra quem pedala (e pra quem dirige) na rua
Entre as medidas que acompanham o novo plano estão uma unidade da polícia municipal dedicada a coibir comportamentos perigosos no trânsito — a chamada "violência motorizada" — e testes de sistemas de alerta sonoro em caminhões de coleta de lixo, para reduzir acidentes com ciclistas em pontos cegos. Das 420 interseções previstas, 56 começam a ser reformadas já em 2027.
Quem paga a conta e quem fiscaliza
A prefeitura não detalhou, por ora, como os 200 milhões de euros serão divididos entre obras, sinalização e as novas unidades de fiscalização, nem qual órgão vai auditar o cronograma até 2032. Para cidades brasileiras que também discutem ciclovias e mobilidade ativa, o caso de Paris funciona como referência de escala: a capital francesa já soma centenas de quilômetros de infraestrutura cicloviária construída desde 2015, e o novo aporte é tratado pela gestão local como continuidade, não como começo do zero.