
Hackers de aluguel são alvos de congressistas estadunidenses
Um grupo bipartidário do Congresso americano pediu ao governo dos EUA que sancione três empresas indianas acusadas de hackear americanos e advogados para manipular processos judiciais. O pedido foi enviado ao Departamento de Comércio, para inclusão das firmas na Entity List.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Um grupo bipartidário do Congresso dos Estados Unidos — os senadores democratas Ron Wyden (Oregon) e Sheldon Whitehouse (Rhode Island), além do deputado republicano Pat Harrigan (Carolina do Norte) — enviou uma carta ao Departamento de Comércio dos EUA pedindo que o secretário Howard Lutnick sancione três empresas indianas de "hack-for-hire", modelo de negócio em que hackers são contratados sob encomenda para invadir sistemas e roubar dados de alvos específicos.
As empresas citadas são a Sunkissed Organic Farms (que antes operava como Appin), a BellTroX e a CyberRoot — todas descritas pelos parlamentares como firmas indianas que há mais de uma década realizam ciberataques e espionagem direcionada contra cidadãos, empresas e advogados americanos. Segundo a carta, o objetivo era invadir caixas de entrada e dispositivos de executivos, parlamentares e militares para obter vantagem em processos judiciais ou influenciar seus resultados — ou seja, usar dados roubados como munição em litígios em andamento.
O pedido é que as três firmas sejam incluídas na Entity List, lista de entidades sancionadas economicamente pelo governo americano. As empresas também são acusadas de manter uma campanha agressiva de censura para suprimir reportagens sobre suas próprias atividades — um exemplo citado é o caso da Appin, que obteve ordem de um tribunal indiano forçando a agência Reuters a remover uma matéria investigativa sobre a empresa. Os parlamentares afirmam ainda que os grupos atuaram a serviço do governo do Catar, mirando opositores da candidatura catari à Copa do Mundo.
Quem é afetado
O caso envolve principalmente cidadãos, empresários e advogados americanos que estavam do lado oposto em disputas judiciais ou de interesse comercial/político de clientes dessas firmas. Para o público brasileiro, o episódio serve como retrato de como a indústria de hackers de aluguel opera globalmente: qualquer pessoa envolvida em litígios de alto valor, disputas comerciais ou processos contra governos e grandes empresas pode, em tese, virar alvo desse tipo de serviço.
O que fazer agora
Não há indicação de que o pedido já tenha sido atendido pelo governo americano, e o caso ainda depende de decisão do Departamento de Comércio. Mesmo assim, algumas precauções continuam valendo para quem lida com informações sensíveis em disputas jurídicas ou corporativas:
Usar autenticação em duas etapas em e-mail e dispositivos corporativos, especialmente durante processos judiciais ativos;
Evitar compartilhar documentos sensíveis por canais sem criptografia;
Monitorar acessos incomuns a contas de e-mail e nuvem quando houver litígio em curso;
Contar com assessoria jurídica e de segurança digital em casos que envolvam disputas internacionais de alto valor.