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Mercado26 de out. de 2026, 22:44

Patente da Audi quer trazer barulho, vibração e até cheiro de motor aos elétricos

Depositada em fevereiro de 2025 e publicada em agosto de 2026, a patente da Audi descreve vibrações simuladas, turbo lag artificial, faíscas e até aromas para recriar a sensação de dirigir um carro a combustão em modelos elétricos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Uma patente, muitos truques para simular o motor a combustão

A Audi, montadora alemã de carros premium que faz parte do grupo Volkswagen, depositou em 27 de fevereiro de 2025 uma patente no DPMA, o escritório de patentes da Alemanha, que só veio a público em 27 de agosto de 2026. O documento, registrado sob o número DE102025107436, reúne um pacote de recursos pensado para um único objetivo: fazer carros elétricos parecerem, soarem e até vibrarem como carros a combustão.

Entre as propostas está a transmissão de vibrações do motor elétrico diretamente para a carroceria e a cabine, com uma ligação física entre o conjunto motriz e o habitáculo — o oposto do que a engenharia automotiva vem perseguindo há décadas para isolar ruído e trepidação. A patente também descreve a simulação de troca de marchas, turbo lag artificial (o atraso proposital na entrega de potência típico de motores turbinados) e até a possibilidade de o motor girar em marcha lenta com o carro parado, gerando vibração mesmo sem o veículo em movimento.

Foto: reprodução/topspeed.com

O documento vai além do tátil: prevê arcos elétricos visíveis e faíscas simuladas por atrito ou descarga, luzes traseiras piscantes imitando falhas de combustão, distorção periférica na visão do motorista durante acelerações fortes e um difusor de aromas que libera fragrâncias diferentes conforme o estilo de condução — incluindo, segundo relatos sobre a patente, um cheiro que remete a falha mecânica.

A nostalgia como estratégia de mercado

Foto: reprodução/brasil.perfil.com

O movimento da Audi não é isolado. Fabricantes como Hyundai (com sua divisão N), Porsche, Mercedes-AMG e Ferrari já exploram sons e sensações artificiais em seus elétricos de alta performance para evitar que o silêncio e a suavidade típicos dos motores elétricos afastem o público mais purista. É a tentativa das marcas premium de vender não apenas desempenho, mas também emoção e identidade sonora — ativos que, no mundo a combustão, ajudavam a justificar preços mais altos e a fidelizar entusiastas.

Quem tende a ganhar com essa estratégia são os fabricantes de nicho esportivo, que conseguem cobrar um prêmio por "caráter" em um mercado cada vez mais dominado por powertrains elétricos tecnicamente parecidos entre si. Quem pode perder é o consumidor que vê a eletrificação como sinônimo de simplicidade e eficiência, e passa a pagar — literalmente — por efeitos sonoros e vibrações artificiais.

Ainda sem data para chegar às ruas

Até o momento, não há confirmação de que os recursos descritos na patente serão aplicados a carros de produção da Audi. Como é comum na indústria automotiva, patentes servem para proteger propriedade intelectual e nem sempre se traduzem em tecnologia comercial. Ainda assim, o documento mostra que, mesmo entre as marcas mais tradicionais do grupo Volkswagen, a aposta na nostalgia mecânica é vista como caminho possível para reter clientes na transição para a eletrificação.

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