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Smart CitiesSegurança16 de ago. de 2026, 22:49

Patinete elétrico causa mais lesão cerebral que moto, aponta estudo

Levantamento britânico com mais de 15 mil feridos mostra que quem cai de patinete elétrico tem risco 3,5 vezes maior de traumatismo craniano do que motociclistas. No Brasil, regras existem, mas capacete continua sendo exceção nas ruas.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature, em agosto de 2026, deveria acender um alerta em quem lidera a política de mobilidade nas cidades brasileiras. A pesquisa, conduzida por David Bodansky e colegas com base no National Major Trauma Registry, analisou 15.247 pacientes com ferimentos moderados a graves em 18 cidades da Inglaterra e do País de Gales entre 2020 e 2022 — sendo 580 usuários de patinete elétrico, 7.027 motociclistas e 7.640 ciclistas.

Números que preocupam quem anda pela cidade

O resultado é direto: adultos feridos em patinetes elétricos têm 3,5 vezes mais chance de sofrer traumatismo craniano do que motociclistas, e 1,7 vez mais do que ciclistas. Mais de um terço dos feridos graves em patinete teve lesão cerebral. E o detalhe que explica boa parte disso é simples de enxergar em qualquer esquina: apenas 6% dos feridos graves em patinete usavam capacete, contra 45% dos ciclistas e 76% dos motociclistas. Os pesquisadores também apontam o design do veículo — condutor em pé, centro de gravidade alto, rodas pequenas — como fator que amplia o risco de queda e o impacto na cabeça. Chama atenção ainda que 16% dos feridos em patinete tinham menos de 18 anos.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Quem fiscaliza o patinete na sua cidade?

No Brasil, a Resolução 996/2023 do Contran, em vigor desde janeiro de 2026, padronizou regras nacionais para patinetes, bikes elétricas e outros veículos de micromobilidade — mas o uso de capacete continua não sendo obrigatório para boa parte dessas categorias, apenas recomendado. São Paulo, pioneira no compartilhamento de patinetes no país, proibiu a circulação nas calçadas e credenciou operadoras como Whoosh e Easyjet, mas a fiscalização de velocidade, capacete e uso correto das faixas segue dependendo, na prática, da boa vontade de quem pedala — ou desliza.

O problema não é exclusivo de Londres ou Manchester. É de quem compartilha a rua com um patinete a 20 km/h sem proteção nenhuma na cabeça. Cidades que investem em compartilhamento de micromobilidade como vitrine de modernidade raramente investem, na mesma proporção, em fiscalização e educação para o uso seguro. Quanto custou implantar cada frota de patinetes compartilhados nas grandes capitais brasileiras, e quanto foi reservado para campanhas de capacete ou fiscalização de velocidade? A pergunta que fica é se a inovação na mobilidade urbana está vindo acompanhada de infraestrutura e regras que protejam quem usa — ou se o risco está sendo terceirizado para o usuário, sem aviso.

Enquanto isso não for resolvido, o estudo britânico serve como um retrato antecipado do que pode acontecer nas ruas brasileiras: mais patinetes, mais quedas, e nenhuma cabeça protegida.

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