
Proposta de compra da PayPal beira um TOP 30 assustador
Stripe e a gestora Advent International intensificaram as conversas para comprar o PayPal por mais de US$ 53 bilhões, negócio que se tornaria a maior aquisição já feita no setor de fintechs.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
As negociações para a venda do PayPal ganharam tração nos últimos dias, e caso isso concluída, a negociação pode bater na trave de um TOP 30 curioso: o das 20 maiores aquisições de empresas já feitas na história. Segundo o TechCrunch, Stripe e a gestora de private equity Advent International voltaram a conversar com a fintech por uma oferta que soma mais de US$ 53 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 286 bilhões.
A proposta inicial, apresentada em julho, previa US$ 60,50 por ação — um prêmio de 28% sobre o fechamento das ações do PayPal antes do anúncio — e já contava com cerca de US$ 50 bilhões em financiamento bancário comprometido, segundo o Olhar Digital.
Quem ganha e quem perde

Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Se sair do papel, o negócio vira a maior aquisição da história do setor fintech e um caso raro: uma empresa ainda financiada por venture capital comprando uma companhia do S&P 500. A Stripe, avaliada em US$ 159 bilhões após uma oferta de recompra de ações a funcionários em fevereiro, ganharia acesso direto a mais de 430 milhões de contas do PayPal — um salto imediato em pagamentos ao consumidor, área em que historicamente é mais fraca que a rival. Para a Advent, é uma aposta financeira clássica de private equity sobre um ativo com fluxo de caixa robusto, mas múltiplos comprimidos.
Quem perde, por ora, é o próprio PayPal como companhia independente: a empresa rejeitou a oferta inicial por considerá-la insuficiente, e as duas partes seguem negociando um valor mais alto, de acordo com o Olhar Digital. Não há garantia de acordo, e as fontes citam que um desfecho pode sair em questão de semanas — ou não sair.
O CEO que chegou para virar o jogo
A arrancada das negociações acontece sob o comando de Enrique Lores, ex-executivo da HP que assumiu o PayPal em março de 2026 com a missão de reverter anos de ações patinando na bolsa. Lores já reorganizou a empresa em três frentes — checkout e a marca PayPal, serviços financeiros ao consumidor (incluindo o Venmo) e serviços de pagamento e criptomoedas — e colocou em curso um corte de cerca de 20% do quadro de funcionários ao longo de dois a três anos como parte do plano de redução de custos.
Procurados, PayPal e Stripe não comentaram: a Stripe apenas informou que "não comenta rumores ou especulações". O mercado, no entanto, já precificou o interesse — as ações do PayPal dispararam após a primeira notícia da oferta, em julho.
O TOP 30
Embora a casa dos bilhões de dóláres seja uma quantia já normalizada há tempos no mundo corporativo, o número envolvendo a proposta citada já é suficiente para alcançar o 21º lugar no ranking das maiores quantias já pagas em uma empresa. Confira o Ranking abaixo (Via Gemini):
Ranking Completo: As 30 Maiores Aquisições da História
(Com transações ordenadas pelo seu valor nominal anunciado/fechado na época dos acordos)
Vodafone / Mannesmann (2000) — ~US$ 202,8 bilhões
A operadora britânica de telefonia móvel fez uma compra hostil da rival alemã.
AOL / Time Warner (2000) — US$ 182 bilhões
A tentativa de unir mídias tradicionais e a "nova internet" no pico da bolha pontocom.
Gaz de France / Suez (2007) — US$ 182 bilhões
Megafusão francesa de utilidade pública e gás que deu origem à Engie.
Verizon Communications / Verizon Wireless (45% da Vodafone) (2014 ) — US$ 130 bilhões
A Verizon assumiu 100% da operadora ao comprar a fatia de 45% que pertencia à Vodafone.
Dow Chemical / DuPont (2015) — US$ 130 bilhões
Junção de duas líderes da indústria química mundial, formando a DowDuPont.
United Technologies / Raytheon (2019) — US$ 121 bilhões
Megafusão da indústria aeroespacial e de defesa americana, criando a RTX Corporation.
AT&T / Time Warner (2018) — US$ 108 bilhões
Compra da casa de estúdios da HBO, Warner Bros. e CNN pela gigante das telecomunicações.
AB InBev / SABMiller (2016) — US$ 107 bilhões
Acordo "Megabrew" que uniu as duas maiores cervejarias globais sob o controle da AB InBev.
Glaxo Wellcome / SmithKline Beecham (2000) — US$ 107 bilhões
Fusão de duas gigantes farmacêuticas do Reino Unido que criou a GlaxoSmithKline (GSK).
Kraft / Heinz (2015) — US$ 100 bilhões
Orquestrada pelo fundo 3G Capital e a Berkshire Hathaway de Warren Buffett.
Bristol-Myers Squibb / Celgene (2019) — US$ 95 bilhões
Transação farmacêutica focada em oncologia e medicamentos para doenças graves.
Pfizer / Warner-Lambert (2000) — US$ 90 bilhões
Compra efetuada pela Pfizer para obter totalidade dos direitos sobre o remédio Lipitor.
AT&T / BellSouth (2006) — US$ 86 bilhões
Consolidação de mercado pela AT&T na infraestrutura de telecomunicações dos EUA.
Exxon / Mobil (1998) — US$ 81 bilhões
Unificação de duas ramificações da antiga Standard Oil, formando a ExxonMobil.
Charter Communications / Time Warner Cable (2016) — US$ 79 bilhões
Consolidação para expandir a presença de banda larga e TV nos Estados Unidos.
Disney / 21st Century Fox (2019) — US$ 71 bilhões
Aquisição do catálogo e estúdios da Fox para reforçar o serviço de streaming Disney+.
Royal Dutch Shell / BG Group (2016) — US$ 70 bilhões
Ação estratégica da Shell para liderança em gás natural liquefeito (GNL) e exploração marítima.
CVS Health / Aetna (2018) — US$ 69 bilhões
Integração entre uma das maiores redes de farmácias do mundo e uma grande operadora de saúde.
Saudi Aramco / SABIC (70%) (2020) — US$ 69 bilhões
A petroleira estatal saudita comprou o controle majoritário da petroquímica SABIC.
Microsoft / Activision Blizzard (2023) — US$ 68,7 bilhões
A maior transação do setor de jogos, incorporando marcas como Call of Duty e Warcraft.
Pfizer / Wyeth (2009) — US$ 68 bilhões
Compra estratégica para expansão em vacinas e biotecnologia.
Cigna / Express Scripts (2018) — US$ 67 bilhões
União de seguradora com administradora de benefícios farmacêuticos nos EUA.
Dell / EMC (2016) — US$ 67 bilhões
A maior aquisição puramente tecnológica na época, unindo infraestrutura de PCs e nuvem/dados.
Actavis / Allergan (2015) — US$ 66 bilhões
Transação em que a Actavis adquiriu a fabricante do Botox e assumiu seu nome global.
Glencore / Xstrata (2013) — US$ 62 bilhões
Fusão entre a comercializadora de commodities e a gigante mineradora.
Takeda Pharmaceutical / Shire (2019) — US$ 62 bilhões
A maior aquisição internacional da história realizada por uma empresa do Japão.
Broadcom / VMware (2023) — US$ 61 bilhões
A fabricante de chips adquiriu a desenvolvedora de softwares de virtualização.
ExxonMobil / Pioneer Natural Resources (2023) — US$ 59,5 bilhões
Movimento para expansão da produção de petróleo de xisto na Bacia Permiana nos EUA.
Chevron / Hess (2025) — US$ 53 bilhões
Negócio no setor de energia focado na ampliação das reservas marinhas de petróleo na Guiana.
Bank of America / Merrill Lynch (2008) — US$ 50 bilhões
Aquisição realizada em meio ao ápice da crise financeira para resgatar o banco de investimento.
A Paypal é uma ex-empresa de Elon Musk, que atualmente está investindo US$60 bi nisso aqui.