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Mercado03 de nov. de 2026, 09:37

Peacock aposta no YouTube para virar um dos maiores streamers dos EUA

Matt Strauss, chairman do NBCUniversal Media Group, afirma que a parceria entre Peacock e YouTube deve tornar o serviço de streaming um dos mais distribuídos do país já em 2027, às vésperas da separação entre NBCUniversal e Comcast.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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125 milhões de assinantes do YouTube Premium na mira do Peacock

Mais de 125 milhões de assinantes globais do YouTube Premium são o alvo da nova estratégia do Peacock, serviço de streaming da NBCUniversal, a divisão de mídia e entretenimento que pertence à Comcast e está em processo de cisão da empresa-mãe. A partir do início de 2027, todo o catálogo do Peacock — incluindo NFL, NBA, filmes da Universal como a franquia Minions, produções originais e conteúdo da Bravo, como Real Housewives e Love Island USA — estará disponível para quem paga o YouTube Premium, cujo plano custa a partir de US$ 8,99 por mês nos EUA, abaixo dos US$ 10,99 cobrados pelo Peacock Premium isoladamente.

Quem está por trás da aposta é Matt Strauss, hoje chairman do NBCUniversal Media Group após comandar a área de direct-to-consumer da empresa — cargo que inclui a supervisão do Peacock e de todas as operações de streaming do grupo. Em entrevista ao podcast Decoder, do The Verge, Strauss projetou que o Peacock "será um dos serviços de streaming mais distribuídos nos Estados Unidos" dentro de um ano da parceria com o YouTube.

Por que isso importa agora

O movimento acontece num momento de reorganização profunda da Comcast: a empresa já separou seus canais de TV a cabo na recém-criada Versant e prepara a cisão completa da NBCUniversal, prevista para o próximo ano. Strauss descreve a parceria com o YouTube como a segunda etapa de um plano que vem sendo construído desde o lançamento do Peacock, em 2020 — quando a estratégia inicial era crescer como app isolado.

Os números recentes ajudam a entender a pressa: o YouTube TV é hoje o serviço de TV paga que mais cresce nos EUA, com expansão de 26% a 27% ao ano ao longo de cinco anos e mais de 10 milhões de assinantes, enquanto o setor de TV paga tradicional encolhe de 6% a 7% por ano. Entrar no ecossistema do YouTube é, na prática, nadar a favor da corrente em vez de brigar sozinho contra a decadência da TV linear.

Quem ganha com o acordo

O Peacock sai fortalecido em distribuição sem precisar investir pesado em aquisição de usuários — ele soma hoje 48 milhões de assinantes pagos, segundo dado de 30 de junho, e vinha de dois trimestres consecutivos de lucro, com EBITDA de US$ 261 milhões no terceiro trimestre, uma melhora de US$ 470 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior. O YouTube, por sua vez, consolida o Premium como porta de entrada para conteúdo premium de terceiros, e a NBCUniversal ainda integra sua plataforma de publicidade programática, a FreeWheel, ao ecossistema do Google. Quem sai em desvantagem é a TV paga tradicional, que perde ainda mais relevância diante de um acordo que acelera a migração de audiência para o streaming.

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