tech & talk
Smart Cities03 de set. de 2026, 10:43

Pedágio urbano em Nova York não piorou a qualidade do ar, aponta estudo

Levantamento do Departamento de Saúde de Nova York derruba o temor de que motoristas fugindo do pedágio de US$ 9 em Manhattan empurrassem a poluição para bairros vizinhos. Um ano depois, o ar seguiu a mesma tendência de melhora das últimas duas décadas.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

Um ano de pedágio, e o ar não piorou

Quando Nova York começou a cobrar US$ 9 de quem entra de carro no centro de Manhattan, em 5 de janeiro de 2025, a pergunta que ficou no ar — literalmente — foi: os motoristas vão desviar para bairros vizinhos e piorar a poluição lá? Um ano e meio depois, o Departamento de Saúde da cidade (NYC Health Department) respondeu que não. Comparando dados de um ano antes e um ano depois da cobrança começar, a prefeitura não encontrou piora na qualidade do ar — nem no Bronx, região historicamente mais castigada por asma infantil ligada à poluição de tráfego.

O estudo, divulgado em agosto, é o primeiro levantamento abrangente sobre os efeitos do chamado congestion pricing na saúde ambiental da cidade. Segundo o comunicado oficial da prefeitura, o resultado dá continuidade a uma tendência de 20 anos de melhora na qualidade do ar em Nova York — não é uma reviravolta causada pelo pedágio, mas também não é um retrocesso.

O que foi medido, e com que rede

Os pesquisadores acompanharam quatro poluentes ligados ao tráfego: material particulado fino (PM2.5), dióxido de nitrogênio (NO2), óxido nítrico (NO) e carbono negro. Usaram uma rede de monitoramento espalhada por dezenas de pontos fora da zona de cobrança, incluindo corredores de rodovias como a FDR Drive e a West Side Highway — que tiveram 11% menos veículos entrando após o início do pedágio, segundo a NY1. Ainda assim, a queda no tráfego não se traduziu em melhora perceptível na poluição, porque o trânsito responde por só uma fatia da equação: cerca de 14% do PM2.5 e 20% das emissões de NOx na cidade, conforme apurou o Smart Cities Dive, o site que noticiou o estudo.

Como qualquer morador de Nova York sabe, o ar da cidade também depende de vento, clima e até fumaça de incêndios florestais que chegam de fora — fatores que os pesquisadores tentaram isolar usando pontos de controle e uma janela de comparação de dois anos.

Quem fiscaliza, e quanto custou

A prefeitura diz ter destinado mais de US$ 120 milhões a iniciativas de qualidade do ar e saúde pública, incluindo US$ 20 milhões da Metropolitan Transportation Authority (MTA), a autoridade que administra o transporte público de Nova York, para combater asma infantil no Bronx. Já a receita do próprio pedágio soma mais de US$ 100 milhões destinados a projetos de melhoria do ar, segundo a NY1.

Janno Lieber, presidente e CEO da MTA, resumiu o temor original e o resultado: antes das câmeras do pedágio serem ligadas, havia preocupação com poluição de motoristas fugindo da cobrança — e isso não se confirmou. Já Gustavo Rivera, senador estadual, disse se sentir tranquilizado pelos dados mostrando que o pedágio não piorou o ar no Bronx.

Fica a pergunta que interessa a quem paga a conta e mora perto das rodovias: com metas de tráfego batidas e o ar estável, o próximo capítulo é saber se os mais de US$ 100 milhões em receita vão de fato virar obras que se sintam na saúde pública — ou só em relatório.

congestion pricingqualidade do arnova yorkmobilidade urbanapedágio urbano
Compartilhar