
Pedidos de ônibus sobem 22% nos EUA, mas interesse por elétricos recua
A fabricante New Flyer entregou 911 ônibus de trânsito no trimestre, alta de 22% na comparação anual — só que a fatia de licitações para veículos de emissão zero está encolhendo.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que a cidade está comprando
No segundo trimestre de 2026, a fabricante canadense NFI Group, dona da marca New Flyer, entregou 911 ônibus de trânsito na América do Norte — alta de 22% frente ao mesmo período de 2025 — além de 142 ônibus interurbanos, 8% a mais. O backlog da empresa soma cerca de US$ 12,5 bilhões, e havia 6.195 unidades em licitações públicas ativas ao fim do trimestre, 6% a mais na comparação anual.
Por que isso importa pro cidadão
A frota de ônibus de trânsito nos Estados Unidos está envelhecida, com idade média de 8,2 anos, o que pressiona prefeituras a renovar veículos — mais pedidos hoje tendem a significar frotas mais novas circulando nas ruas em alguns anos. Mas há um detalhe que muda o cenário: segundo o CEO da NFI, John Sapp, a fatia de licitações para ônibus de emissão zero, que passava de 50% há dois anos, vem caindo. A empresa não detalhou o novo percentual, nem qual freio pesou mais — custo de aquisição, autonomia das baterias ou incerteza sobre subsídios federais.
Quanto custou e quem paga
O balanço da NFI reforça a leitura: receita de US$ 1,03 bilhão no trimestre, alta de 18,6% ano a ano, e lucro líquido de US$ 17,4 milhões — revertendo um prejuízo de US$ 160,8 milhões no mesmo período de 2025. A empresa elevou sua previsão de Ebitda ajustado para o ano, citando geração de caixa e o backlog robusto como sustentação. Quem financia essas compras, no fim das contas, são orçamentos públicos municipais e estaduais, com parte relevante ainda dependente de programas federais de incentivo a veículos elétricos — cujo futuro segue em discussão no Congresso americano, junto com uma nova rodada de tarifas comerciais entre 10% e 40% que pode encarecer peças importadas.
O que fica em aberto
Nem a empresa nem a reportagem original detalham quais cidades estão recuando de pedidos elétricos e por quê, nem se a queda reflete decisão técnica das prefeituras ou aperto orçamentário. Vale acompanhar se esse recuo se confirma nos próximos balanços trimestrais ou se foi um ajuste pontual.