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Smart Cities09 de out. de 2026, 11:06

Pequenas cidades dos EUA escondem oportunidade de US$ 2 trilhões, diz estudo

Relatório da McKinsey com a Heartland Forward, organização de pesquisa dedicada a economias do interior dos EUA, mostra que cidades médias recebem só 10% do capital de risco do país. Para destravar o potencial, elas precisam de infraestrutura, mão de obra qualificada e parcerias mais fortes.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um potencial de US$ 2 trilhões que ninguém está financiando

Um novo relatório do McKinsey Institute for Economic Mobility, braço de pesquisa da consultoria McKinsey focado em mobilidade econômica, em parceria com a Heartland Forward, think tank americano dedicado a fortalecer economias do interior dos EUA, aponta que investir nas chamadas "micropolitan communities" — cidades com população entre 10 mil e 50 mil habitantes — poderia gerar US$ 2 trilhões em produção econômica para o país. O número chama atenção, mas a pergunta que fica é: por que esse dinheiro não chegou antes?

Quem são essas cidades e por que ficam de fora

Existem 538 micropolitans nos Estados Unidos, e mais de 320 delas estão concentradas nos 20 estados do chamado heartland, a região central do país. Juntos, esses estados abrigam 39% da população americana e respondem por cerca de 35% do PIB nacional — o equivalente à terceira maior economia do mundo. Ainda assim, recebem apenas 10% de todo o investimento em capital de risco dos EUA e 29% dos empréstimos de capital fixo. É dinheiro de sobra circulando no país, mas que não encontra caminho até essas comunidades.

O que falta: infraestrutura, gente e parceria

Segundo o relatório, a diferença entre cidades que conseguem atrair investimento e as que ficam paradas está em três frentes: infraestrutura adequada, força de trabalho qualificada e capacidade de arquitetar parcerias entre poder público, filantropia e setor privado. O estudo cita o caso de McPherson, no Kansas, cidade de cerca de 14 mil habitantes onde a farmacêutica Pfizer investiu US$ 350 milhões desde 2015 em uma fábrica de medicamentos injetáveis estéreis. Outro exemplo é Ottumwa, em Iowa, que desde 2006 vem coordenando capital público, filantrópico e privado para revitalizar o centro da cidade.

A pergunta que fica para o cidadão brasileiro

Aqui no Brasil, municípios de porte parecido — entre 10 mil e 50 mil habitantes — enfrentam o mesmo dilema: dependem quase exclusivamente de repasses estaduais e federais, sem musculatura institucional para atrair investimento privado direto. O relatório da McKinsey e da Heartland Forward não fala do Brasil, mas serve de espelho. Quando uma cidade pequena anuncia que vai receber uma fábrica ou um polo tecnológico, cabe perguntar: quem coordenou essa parceria, quanto custou ao poder público local e que infraestrutura foi construída antes para viabilizar o negócio? Sem essas respostas, o anúncio vira só manchete — não desenvolvimento de fato.

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