
Perseverance bate recorde de distância em Marte, e em bem menos tempo
O rover da NASA superou a marca de 45,16 km deixada pelo Opportunity, mas fez isso em 5,5 anos — contra os quase 14 anos do antecessor. Equipe da missão diz que o veículo pode dobrar essa distância.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
45,22 km é mais ou menos a distância de uma maratona com alguns quilômetros de sobra — só que percorrida sobre pedras, areia e crateras marcianas, por um robô sozinho, sem ninguém dirigindo em tempo real a 225 milhões de quilômetros de distância da Terra.
O que está confirmado
No dia 11 de outubro, o rover Perseverance fez um deslocamento de 91,31 metros saindo de um ponto apelidado "Lac de Charmes", na borda da cratera Jezero, em direção a uma região de rochas antigas chamada "Idubi". Com essa volta, o odômetro do veículo passou de 45,13 km para 45,22 km — ultrapassando a marca de 45,16 km (28,06 milhas) que pertencia ao rover Opportunity desde o fim de sua missão.
O dado que chama atenção não é só a distância, mas o tempo: o Opportunity levou cerca de 14 anos para rodar seus 45,16 km. O Perseverance chegou lá em 5,5 anos de missão — menos da metade do tempo. Segundo a NASA, isso tem a ver com o sistema de navegação autônoma do veículo, o AutoNav, responsável por guiar mais de 90% dos deslocamentos do rover sem comandos detalhados vindos da Terra a cada trecho. Mark Maimone, chefe de operações robóticas do Perseverance no Jet Propulsion Laboratory (JPL), é citado como fonte da NASA sobre o avanço da tecnologia de navegação.
O que é estimativa, não fato fechado
A equipe da missão afirma que o Perseverance pode, ao longo do tempo que ainda tem de operação, rodar mais do que o dobro da distância já percorrida. Isso é uma projeção baseada no estado atual do veículo e no histórico de longevidade de rovers anteriores — não uma garantia.
Por que isso importa
Mais do que uma estatística para livro de recordes, o resultado mostra como a navegação autônoma amadureceu entre uma geração de rover e outra. O Opportunity, lançado em 2003, dependia muito mais de comandos planejados manualmente por engenheiros na Terra. O Perseverance, que pousou em Marte em 2021, consegue tomar decisões de percurso sozinho com mais frequência — o que acelera a exploração científica da cratera Jezero, onde a missão busca sinais de vida microbiana antiga.