Pesquisa aponta que 37% dos times de CS2 no Brasil não pagam salário fixo
Levantamento da Dust2 Brasil mostra que o fim do patrocínio de bets e a queda na receita com skins pressionam o orçamento das organizações de Counter-Strike no país.
Por Larissa Kimura · Repórter de e-sports
O retrato financeiro da cena brasileira de CS2
Um levantamento da Dust2 Brasil, principal portal especializado em Counter-Strike do país, mostra que 37% dos times brasileiros de CS2 ranqueados no Valve Regional Standing (VRS) das Américas não recebem nenhum salário fixo — o título da pesquisa arredonda o número para "40%". Na prática, das equipes mapeadas, 17 têm estrutura salarial consolidada e 10 sobrevivem só de premiação em torneios, sem remuneração garantida aos jogadores.
Três fatores, uma crise
A reportagem aponta uma combinação de causas. A primeira é a reestruturação do modelo competitivo global via VRS, sistema que a Valve adotou para substituir o antigo ranking e que dificulta o planejamento financeiro de organizações menores. A segunda é a queda na receita com patrocínio e itens cosméticos (skins/adesivos), fonte histórica de caixa das equipes. A terceira, e a mais recente, é o fim abrupto do patrocínio de casas de apostas: a proibição federal de publicidade e patrocínio de bets para o público brasileiro, que entrou em vigor em outubro, cortou o principal sponsor de várias organizações da noite para o dia.
Baixas recentes confirmam o cenário
O efeito prático já apareceu fora da pesquisa. A Vivo Keyd Stars, organização de esports ligada à operadora Vivo, suspendeu indefinidamente seu projeto de CS2 e dispensou o elenco após perder o patrocínio da EstrelaBet. A LOUD, uma das maiores organizações de esports do Brasil, chegou a dissolver um elenco de CS2 no mesmo dia em que o contratou — mesmo já tendo pago bootcamp em Portugal e taxas de inscrição em torneios. O técnico Pablo "disturbed" Fernandes, que ficou sem equipe no episódio, ironizou a situação publicamente. Já a METANOIA, equipe brasileira de CS2, acumulou cerca de três meses de salários atrasados, motivo citado pelo jogador Luiz Tineu para deixar o time.
O que fica em aberto
Com o modelo de patrocínio tradicional em xeque, a pergunta que fica para o mercado brasileiro de CS2 é quem vai sustentar o caixa das organizações menores daqui para frente — se novos patrocinadores fora do setor de apostas vão preencher a lacuna, ou se a cena vai encolher ainda mais antes da próxima temporada.