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IA19 de set. de 2026, 11:01

Pesquisa global do Pew Research mostra medo generalizado da IA no emprego

Levantamento com mais de 42 mil pessoas em 37 países aponta que a maioria teme perda de empregos e aumento da desigualdade com a inteligência artificial — com temor maior justamente nos países mais ricos.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um retrato do medo, país por país

Imagine perguntar para o mundo inteiro, ao mesmo tempo, se a máquina vai tomar seu emprego. Foi mais ou menos isso que o Pew Research, instituto de pesquisa americano sem fins lucrativos que mede opinião pública global, fez entre 8 de fevereiro e 13 de maio deste ano: ouviu 42.151 pessoas em 37 países (36 nações pesquisadas fora dos Estados Unidos, que entram como caso à parte, com coleta própria). O resultado, divulgado nesta quinta-feira (17), tem um padrão claro: em 34 dos 37 países, a maioria acredita que a inteligência artificial vai reduzir o número de empregos nos próximos 20 anos, não aumentá-lo.

Quem tem mais a perder teme mais

Aqui mora uma ironia que vale a analogia do seguro contra incêndio: quem mora numa casa de tijolo raramente se preocupa com fogo, mas quem já perdeu bens antes costuma comprar a apólice mais cara. Com a IA é ao contrário — o medo é maior justamente nos países mais ricos, que têm mais empregos de escritório automatizáveis. Austrália e Coreia do Sul lideram, com 76% temendo perda líquida de vagas; os Estados Unidos vêm logo atrás, com 71% — um salto de 7 pontos percentuais em dois anos. A média global fica em torno de 46%.

O clima também piorou entre os jovens. Nos EUA, 55% dos adultos de 18 a 34 anos dizem estar mais preocupados do que entusiasmados com a IA em 2026, contra 40% em 2024 — um recuo de otimismo que se repete, em menor grau, na Suécia, Polônia, Japão, Austrália e no Brasil.

Desigualdade: o consenso que atravessa fronteiras

Se há um ponto em que ricos e pobres, à sua maneira, concordam, é este: a IA deve aumentar a distância entre eles, não diminuí-la. Menos de 1 em cada 4 pessoas no mundo acredita que a tecnologia vai reduzir a desigualdade de renda; em 29 dos países pesquisados, a fatia otimista fica em dígito único. Mas o tamanho do medo também varia com a renda do país: em nações ricas, a mediana de quem acha que a IA vai aumentar a desigualdade é 35%; em países de renda média, cai para 22%. Os EUA (46%) e a Colômbia (13%) ilustram bem esse abismo.

Um detalhe que escapa ao senso comum: em boa parte dos países, quem tem mais escolaridade e renda mais alta — ou seja, quem em tese está mais protegido — é justamente quem mais teme que a IA aprofunde as desigualdades. Não é o discurso do desempregado com medo de perder o posto; é o alerta de quem entende do assunto e ainda assim não vê saída fácil.

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