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Mercado08 de set. de 2026, 10:27

Pesquisa no Reino Unido revela que motoristas ignoram tecnologia de carros

Levantamento com 1.350 condutores britânicos mostra que 25,9% nunca ativam o controle de cruzeiro adaptativo e outros recursos de assistência à condução seguem desligados por desconfiança ou desconhecimento.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Mais de um quarto dos motoristas nunca liga o piloto automático adaptativo

Uma pesquisa encomendada pela rede britânica de concessionárias Dick Lovett e conduzida pelo instituto Censuswide mostra que 25,9% dos condutores no Reino Unido nunca ativam o controle de cruzeiro adaptativo em seus carros, mesmo tendo o recurso disponível de fábrica. Outros 7% admitem nem saber como acioná-lo. O levantamento ouviu 1.350 motoristas britânicos no verão de 2026 e escancara um problema que preocupa fabricantes: parte considerável da tecnologia de assistência à condução embarcada em veículos novos simplesmente não é usada.

Segurança "invasiva" é desligada de propósito

O desuso não se limita ao piloto automático adaptativo. Segundo a pesquisa, 21,3% dos motoristas desligam a frenagem automática de emergência, alegando que o sistema age de forma agressiva demais. Já o assistente de permanência em faixa é evitado por 17,8% dos entrevistados, mesma fatia que diz não usar assistentes de voz. O head-up display com realidade aumentada também não convence: 17,1% preferem não ativá-lo e 7% dizem não saber operar.

O padrão se repete em recursos de conforto. Bancos com massagem são aproveitados por apenas 22% dos motoristas, enquanto a partida remota é usada com frequência por 24,5%. Do outro lado da tabela, tecnologias mais simples e antigas seguem dominando o dia a dia: conectividade Bluetooth (58,3%), câmera de ré (45,7%), GPS integrado (44,5%) e para-brisa aquecido (41%) lideram o uso regular.

O que isso significa para fabricantes e consumidores

Para a indústria automotiva, o resultado é um alerta. Montadoras têm investido pesado em sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) como diferencial competitivo e argumento de segurança, mas a pesquisa sugere que grande parte desse investimento não converte em uso real — seja por desconfiança dos motoristas, seja por falta de explicação no momento da entrega do veículo. Alex Lee, especialista da Dick Lovett citado no levantamento, resume o problema: tecnologias sofisticadas exigem familiarização para de fato melhorar segurança e conforto, algo que não vem ocorrendo na prática.

O recorte por idade reforça essa leitura. Motoristas entre 25 e 34 anos aderem mais a modos de condução personalizáveis (38,3%) e carregamento sem fio (44,4%), enquanto condutores acima de 55 anos apresentam adesão bem menor a esses recursos. Isso indica que a curva de aprendizado — e não apenas a utilidade do sistema — pesa na decisão de usar ou não a tecnologia.

Para o consumidor, a conclusão prática é direta: vale revisar o manual do carro e testar os recursos de assistência antes de descartá-los como supérfluos ou invasivos. Para as fabricantes, o recado é que a tecnologia mais avançada de nada serve se o motorista não sabe — ou não quer — ligá-la.

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