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Segurança09 de ago. de 2026, 21:47

Pesquisador cria padrão de roupa que engana câmeras de reconhecimento facial

O projeto noRecognition, testado 31 milhões de vezes, gera estampas que confundem softwares de vigilância sem impedir a gravação. Em DefCon, driblou até câmeras de leitura de placas.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O especialista em cibersegurança Bill Swearingen, de Kansas City, criou o noRecognition: um sistema de aprendizado por reforço que gera padrões visuais capazes de confundir câmeras de vigilância sem impedir que a pessoa apareça na gravação. A ideia nasceu do desconforto de Swearingen com câmeras em locais de protesto — ele queria uma forma de reduzir a vigilância em massa sem quebrar lei nenhuma.

O modelo passou por 31 milhões de testes ao longo de um ano, "pintando" padrões progressivamente mais eficazes contra sistemas de detecção. O resultado consegue enganar 11 algoritmos de código aberto, incluindo softwares usados por leitoras de placas Flock e pelas câmeras da Clearview AI — uma das empresas de reconhecimento facial mais usadas por forças policiais nos EUA. Em demonstração na DefCon 2026, a maior conferência de hackers do mundo, o padrão funcionou até aplicado a um Toyota Yaris, embora as rodas do carro tenham resistido ao efeito.

Quem é afetado

O projeto interessa a qualquer pessoa preocupada com vigilância em massa — manifestantes, jornalistas, ativistas de privacidade — mas também levanta questão pro outro lado: os mesmos algoritmos que "escondem" alguém de uma câmera podem ser usados por quem quer evitar identificação depois de cometer um crime. Swearingen não resolveu esse dilema; apenas demonstrou que a tecnologia existe e funciona.

O que fazer com essa informação

  • O projeto ainda é experimental — não existe roupa à venda pronta pra reproduzir o efeito testado na DefCon;
  • Vigilância por câmera não é a única forma de rastreamento: dados de celular e cartão continuam expondo a localização de qualquer pessoa;
  • Quem se preocupa com reconhecimento facial em espaços públicos pode acompanhar o andamento do projeto, que segue gerando e testando novos padrões contra sistemas comerciais;
  • No Brasil, o uso de reconhecimento facial por órgãos públicos e privados é regulado pela LGPD, o que abre mecanismos legais de contestação além das soluções técnicas.
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