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Ciência16 de out. de 2026, 10:35

Pesquisadores criam cimento com carbono capaz de armazenar energia elétrica

Equipe chinesa combinou cimento, carbono e nanotubos para transformar concreto em supercapacitor, mantendo a resistência estrutural do material usado em construção.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine a parede da sua casa funcionando, ao mesmo tempo, como bateria

É essa a promessa de um material desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Harbin e da Academia Chinesa de Ciências, na China. O estudo, publicado na revista científica ACS Nano, da American Chemical Society, descreve um supercapacitor feito a partir de cimento combinado com materiais à base de carbono — incluindo nanotubos de carbono e negro de fumo (carbon black).

O que foi confirmado pela pesquisa

Segundo o artigo, intitulado "Monolithic 3D-Printed Interdigitated Cement-Based Supercapacitors for Structural Energy Storage", os pesquisadores misturaram nanotubos de carbono, carbono negro e cimento para criar uma tinta imprimível, aplicada por impressão 3D sobre uma pequena laje de concreto em um padrão de "dedos entrelaçados". Essa combinação cria uma estrutura porosa que permite o deslocamento de íons e o armazenamento de carga elétrica — o princípio de funcionamento de um supercapacitor.

Em testes, três desses supercapacitores de cimento conseguiram alimentar pequenas luzes de LED. O material também manteve resistência à compressão comparável à do concreto comercial usado em lajes e escadas, o que é o ponto central da proposta: unir armazenamento de energia e função estrutural no mesmo material. Os pesquisadores observaram queda de desempenho em temperaturas próximas a -18°C.

O que ainda é hipótese ou etapa futura

É importante marcar a fronteira entre o que já foi demonstrado e o que é projeção. O material existe hoje apenas em escala de laboratório, sem cronograma de comercialização anunciado. A ideia de "transformar paredes e estruturas inteiras em fontes de energia" para prédios é a aplicação pretendida pelos autores do estudo, mas ainda não foi testada em escala real de construção — o experimento descrito ocupa uma pequena laje, não uma parede ou edifício completo.

Por que isso é relevante

Se a tecnologia evoluir para escala construtiva, a ideia é que elementos estruturais já presentes em qualquer obra — fundações, paredes, pisos — passem a armazenar energia gerada por fontes renováveis, como painéis solares, sem exigir baterias convencionais adicionais. É um caminho ainda em construção, literalmente, mas que se soma a uma linha de pesquisa crescente sobre "concreto inteligente" capaz de mais do que sustentar peso.

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