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Segurança19 de set. de 2026, 11:01

Pesquisadores usam Claude em teste autorizado e acessam repositório interno da OpenAI

Equipe da Hacktron AI usou o Claude, da Anthropic, dentro do programa de recompensas por falhas da própria OpenAI e conseguiu acessar conta de funcionário e código interno da empresa. Não foi um ataque criminoso: a descoberta foi reportada e recompensada.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma equipe de pesquisadores de segurança da startup Hacktron AI usou o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, para explorar uma falha em sistemas ligados à OpenAI e obter acesso à conta de um funcionário da empresa no ChatGPT. A partir desse acesso, os pesquisadores conseguiram ler arquivos e sugerir alterações em um repositório privado de código-fonte interno, segundo reportagem do The Wall Street Journal replicada pelo Olhar Digital.

O ponto central para entender o caso sem alarmismo: isso não foi uma invasão criminosa. A equipe participava de um programa de recompensas por vulnerabilidades (bug bounty) mantido pela própria OpenAI, que funciona como uma espécie de "porto seguro" para pesquisadores autorizados a testar falhas nos sistemas da companhia. A falha explorada estava relacionada a um serviço de fórum baseado em Discourse.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O teste começou em 23 de julho de 2026, e a vulnerabilidade foi corrigida pelo Discourse em 25 de julho, no mesmo dia em que foi notificado. A equipe da Hacktron AI recebeu US$ 6,5 mil (cerca de R$ 34,7 mil) como recompensa pela descoberta responsável.

Quem é afetado

A falha envolvia a conta de um funcionário da OpenAI no ChatGPT e tokens de autenticação de usuários, o que abriu caminho até um repositório de código interno — descrito na reportagem original como um "monorepo" que reúne parte dos sistemas da empresa. Não há indicação, nas fontes apuradas, de que dados de clientes ou usuários comuns do ChatGPT tenham sido expostos: o acesso ficou restrito ao ambiente interno testado pelos pesquisadores.

A OpenAI confirmou o episódio e informou que reduziu as permissões dos tokens de login da comunidade e revogou os tokens e sessões afetados após o alerta.

O que fazer agora

Para quem acompanha o tema, os pontos práticos são:

  • Não é motivo de pânico para usuários do ChatGPT: o caso não envolveu conta de cliente comum, e sim infraestrutura interna testada sob autorização.
  • O episódio reforça um alerta real: ferramentas de IA como o Claude estão sendo usadas para acelerar a descoberta de vulnerabilidades — tanto por pesquisadores éticos quanto, potencialmente, por agentes maliciosos.
  • Empresas que mantêm sistemas internos (fóruns, repositórios de código, painéis administrativos) devem revisar permissões de tokens de autenticação e políticas de acesso de terceiros integrados a esses sistemas.
  • Programas de bug bounty seguem sendo a via correta para relatar falhas: o caso é, na prática, um exemplo de divulgação responsável funcionando como deveria.

A Anthropic, criadora do Claude e rival da OpenAI no mercado de inteligência artificial, não teve declaração citada nas apurações consultadas até o momento desta publicação.

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