
Pfizer: comprimido mantém câncer de pulmão controlado por 7 anos
Estudo de fase 3 mostra que o lorlatinibe manteve 55% dos pacientes com câncer de pulmão avançado sem progressão da doença após 7 anos, contra 3% no grupo de comparação.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagina tomar um comprimido por dia, todos os dias, durante sete anos — e nesse tempo o câncer de pulmão avançado simplesmente não avançar. É esse o retrato que emerge da atualização de sete anos do estudo CROWN, apresentada no congresso da ASCO (American Society of Clinical Oncology) e publicada na revista científica Annals of Oncology.
O que está confirmado
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O medicamento é o lorlatinibe, comercializado como Lorbrena pela Pfizer, farmacêutica americana entre as maiores do setor no mundo. Ele foi desenvolvido para tratar um subtipo específico de câncer de pulmão de não pequenas células: os tumores que apresentam rearranjo do gene ALK, alteração genética que afeta uma parcela menor, porém relevante, dos pacientes com esse tipo de câncer.
No estudo CROWN, de fase 3, 296 pacientes foram divididos em dois grupos: 149 receberam lorlatinibe e 147 receberam crizotinibe, tratamento padrão usado como comparação. Depois de sete anos de acompanhamento, 55% dos pacientes tratados com lorlatinibe continuavam vivos e sem progressão da doença — contra apenas 3% no grupo tratado com crizotinibe. A redução de risco de progressão ou morte foi de 81% a favor do lorlatinibe.
Outro dado do estudo: entre os pacientes sem progressão da doença nos primeiros 24 meses de tratamento com lorlatinibe, 79% ainda estavam sem progressão aos sete anos — indício de que, passado esse período inicial, o controle da doença tende a se manter por muito mais tempo.
O que ainda é hipótese ou não foi detalhado
Nem o artigo original, nem a publicação científica consultada, especificam qual instituição coordenou o estudo — o CROWN é um ensaio multicêntrico internacional, sem um único centro de pesquisa à frente. Também não há, nas fontes consultadas, detalhamento dos efeitos adversos de longo prazo associados ao uso continuado do medicamento por sete anos.