Pie, de Andy Dunn, deixa de ser app de eventos e vira rede social
Com cerca de 300 mil usuários, o Pie lança os "Community Homes" e migra de simples organizador de encontros para plataforma de comunidades digitais permanentes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
300 mil usuários e uma nova aposta: comunidades, não só eventos
O Pie, aplicativo social fundado por Andy Dunn — cofundador da varejista de roupas Bonobos —, está deixando de ser apenas um app de organização de eventos presenciais para se tornar uma rede social completa. A empresa, que hoje soma cerca de 300 mil usuários, lançou nesta terça-feira os "Community Homes": espaços digitais permanentes onde grupos podem se conectar, se organizar e planejar encontros sem depender de um evento pontual como gatilho.
De "app de eventos" a "Reddit da vida real"
Dunn descreve o Pie como um "Reddit para a vida real" (IRL). A ideia nasceu da própria experiência do fundador ao se mudar de Nova York para Chicago e sentir dificuldade para construir comunidade — daí o lançamento inicial do app justamente na cidade. Com a mudança agora anunciada, qualquer membro de um grupo passa a poder compartilhar eventos dentro do feed da comunidade, não apenas administradores, e a empresa promete evoluir para chats em grupo e posts mais casuais, como convites informais para atividades. Uma mudança anterior no app, que priorizou conexões pessoais em vez de eventos isolados no feed, já havia elevado o tempo médio de engajamento de 2 para 10 minutos.
Quem ganha
O Pie tenta ocupar um espaço deixado por grupos de WhatsApp, Facebook Groups e outras ferramentas informais de organização social, oferecendo estrutura própria para comunidades que hoje se mantêm de forma dispersa em apps de mensagem. A empresa é apoiada por Forerunner, Lightspeed, Accel e anjos como Ev Williams, cofundador do Twitter — nomes que validam a tese de que há espaço para uma rede social voltada a conexões no mundo real, na contramão do consumo passivo de feeds das redes tradicionais.
O que está em jogo
A aposta é arriscada: transformar um app de nicho, usado para marcar jantares, trivia ou partidas de pickleball, em infraestrutura social mais ampla exige reter usuários além do evento pontual que os trouxe até o app. Com apenas 300 mil usuários — uma fração do tamanho de concorrentes indiretos como Facebook Groups —, o Pie ainda precisa provar que "Community Homes" gera retenção de longo prazo e não apenas mais uma camada de recursos em um app que segue, na prática, dependente de eventos presenciais para crescer.