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Mercado06 de nov. de 2026, 07:46

Pimco corta pela metade aposta em dívida de data center de IA

A gestora que ancorou US$ 18 bi da dívida da Meta e US$ 10 bi da Oracle reduziu as duas posições em cerca de 50%, driblando perdas que agora recaem sobre outros credores.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 18 bilhões que viraram dor de cabeça pros outros

A Pimco, gestora de investimentos global conhecida por fundos de renda fixa, ancorou no ano passado cerca de US$ 18 bilhões em dívida para o data center Hyperion da Meta, na Louisiana, e outros US$ 10 bilhões no pacote da Oracle em Michigan. Até aqui, nada fora do script da corrida de bilhões para infraestrutura de IA. O que chama atenção é o que a casa fez depois: cortou pela metade as duas posições, segundo reportagem da Bloomberg retomada pelo CRE Daily e pela Advisor Perspectives no fim de outubro.

Quem vendeu na alta e quem ficou com o risco

Foto: reprodução/cryptobriefing.com

A Pimco embolsou cerca de US$ 3 bilhões em bonds ligados à Meta — os chamados "Beignet bonds" — vendidos acima do par, meses depois da emissão. Já os papéis da Oracle em Michigan, que saíram a 98,7 centavos por dólar, agora rodam perto de 88 centavos. Tradução: quem comprou depois da Pimco, ou ficou com a ponta que sobrou, está sentado em marcação a mercado negativa. A gestora continua entre os maiores detentores das duas dívidas, mas o timing do corte é o tipo de detalhe que separa quem lucrou do boom de quem está pagando a conta da desaceleração.

O encanamento por trás do dinheiro de IA

Esse não é um caso isolado de uma gestora cautelosa. Apollo (gestora de crédito e private equity), Blue Owl Capital, BlackRock e a própria Pimco originam a maior parte da dívida que financia data centers de IA hoje — boa parte dela estruturada fora do balanço das big techs, via SPVs (veículos de propósito específico) e linhas de crédito direto. No caso da Meta, o pacote de US$ 30 bilhões para o Hyperion combinou cerca de US$ 27 bilhões em dívida, com Pimco, BlackRock e Apollo entre os credores, e US$ 3 bilhões em equity da Blue Owl.

Por que isso importa pro investidor brasileiro

O modelo despeja o risco de capex de IA — que seguradoras e fundos de pensão não bancariam facilmente num balanço corporativo — direto em carteiras de renda fixa e crédito privado, muitas vezes sem a transparência de uma emissão pública tradicional. Quando a gestora que estruturou o pacote reduz posição logo depois de colocá-lo no mercado, o sinal é claro: ela viu risco de desvalorização antes do resto do mercado perceber. Para quem acompanha múltiplos de dívida corporativa, o caso Pimco-Meta-Oracle é um termômetro de como a bolha de IA, se estourar, vai primeiro bater na renda fixa — não nas ações das big techs.

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