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Segurança09 de set. de 2026, 08:42

Pisa 2025: 17% dos estudantes brasileiros sofrem bullying; cyberbullying é 3%

Levantamento da OCDE mostra que o Brasil ficou abaixo da média internacional em bullying, com índices estáveis desde 2022, enquanto a maioria dos países viu o problema crescer.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O estudo Pisa 2025, avaliação internacional aplicada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a estudantes de 15 anos, mostrou que 17% dos alunos brasileiros relataram sofrer bullying algumas vezes por mês ou com frequência maior. O número fica abaixo da média da OCDE, de 20%, e chama atenção porque o Brasil manteve o índice estável entre as edições de 2022 e 2025 — período em que o problema cresceu na maioria dos países e economias participantes.

Em relação ao cyberbullying especificamente, 3% dos estudantes brasileiros afirmaram que informações incômodas ou prejudiciais foram publicadas sobre eles na internet sem consentimento, pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à avaliação. O índice é idêntico à média da OCDE, também de 3%.

Quem é afetado

Os dados dizem respeito a estudantes de 15 anos matriculados na rede de ensino brasileira, e refletem tanto a exposição ao bullying tradicional quanto casos de exposição não consentida de informações on-line. O levantamento também trouxe números sobre o uso de tecnologia em sala de aula: estudantes brasileiros usam dispositivos digitais para fins de aprendizagem 1,3 hora por dia, abaixo da média da OCDE de 1,7 hora, mas dedicam cerca de 1 hora diária a usos não relacionados ao aprendizado. Do total de estudantes, 25% relatam se distrair com dispositivos durante as aulas — e esses alunos tiram, em média, 19 pontos a menos em ciências.

O que fazer agora

O levantamento também mostrou uma resposta institucional crescente: 81% das escolas brasileiras já proíbem o uso de celulares em 2025, um salto em relação aos 37% registrados em 2022. A média da OCDE é de 49% em 2025, ante 34% em 2022. Diante desse cenário, os dados sugerem alguns pontos de atenção para famílias e escolas:

  • Escolas que ainda não têm política de restrição ao celular em sala podem considerar adotar regras claras, acompanhando a tendência majoritária já registrada no país;
  • Pais e responsáveis devem monitorar sinais de exposição não consentida de fotos, vídeos ou informações pessoais dos filhos nas redes sociais, já que esse é o critério usado pela OCDE para medir cyberbullying;
  • Vale conversar com adolescentes sobre a diferença entre uso de dispositivos para estudo e uso recreativo durante o período de aula, dado o impacto direto na distração e no desempenho identificado pelo estudo.

O levantamento também apontou que 48% dos estudantes brasileiros já usam chatbots de inteligência artificial para estudar, tema tratado em reportagem separada da mesma pesquisa.

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