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Mercado15 de out. de 2026, 09:29

Pix bate 1 bilhão de chaves, e a aleatória já é mais da metade

O Banco Central confirmou que o Pix fechou setembro com 1,008 bilhão de chaves cadastradas no país. Chaves aleatórias somam 52,3% do total, enquanto celular e CPF aparecem em seguida, com 16,5% e 15,3%.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

O Pix ultrapassou 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil. Segundo dados do Banco Central, o sistema fechou setembro de 2026 com 1,008 bilhão de registros, alta em relação aos 998 milhões de agosto e aos 920 milhões do fim de 2025 — um salto de mais de 80 milhões de chaves em poucos meses.

Aleatória lidera, de longe

A composição desse bilhão mostra uma preferência clara: as chaves aleatórias, aquelas sequências de letras e números geradas pelo próprio sistema, são 526,8 milhões de registros, o equivalente a 52,3% do total. Isso significa que mais da metade de tudo que existe cadastrado no Pix hoje não é CPF, nem e-mail, nem celular — é uma string sem relação direta com o titular.

Depois da aleatória, a chave celular aparece com 166,3 milhões de registros (16,5%), seguida de perto pelo CPF, com 153,9 milhões (15,3%). O e-mail fecha a lista entre os tipos mais usados, com 144,6 milhões de chaves (14,3%).

Por que a conta não bate com o número de usuários

O Pix reúne cerca de 170 milhões de clientes entre pessoas físicas e jurídicas — bem menos que o bilhão de chaves. A explicação está na própria regra do sistema: cada pessoa ou empresa pode cadastrar mais de uma chave, inclusive em instituições diferentes, e pode gerar quantas chaves aleatórias quiser. Na prática, isso dá uma média de cerca de seis chaves por cliente. A base de usuários, segundo o Banco Central, é formada por 95% de pessoas físicas e 5% de pessoas jurídicas.

O que isso diz sobre o mercado de pagamentos

A predominância da chave aleatória não é um detalhe estatístico qualquer — ela reflete uma mudança de comportamento que interessa direto ao mercado de pagamentos. Ao preferir uma sequência gerada pelo sistema em vez de expor CPF, celular ou e-mail, usuários e empresas sinalizam preocupação crescente com privacidade e superfície de exposição a fraudes, como golpes de clonagem de chave.

Para bancos, fintechs e adquirentes, o recado é que a infraestrutura de identificação do Pix segue crescendo de forma descentralizada: mais chaves por cliente, mais pontos de integração, mais trabalho de reconciliação e de prevenção a fraude por chave.

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