
Pix tem novas regras: devolução em cobrança híbrida e mais segurança
Banco Central publica a Resolução BCB nº 587 com mudanças no Pix que já começaram a valer, mas o pacote completo — cobrança híbrida com boleto, marcação de fraude e Pix Automático em conta-salário — só fecha em julho de 2027. Bancos e fintechs têm prazo para se adaptar; quem usa o sistema ganha mais proteção contra golpes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
18 de setembro de 2026: o pacote já começou a valer
A Resolução BCB nº 587, publicada pelo Banco Central em 18 de setembro de 2026, mudou as regras do Pix — e parte já está em vigor. A exclusão de instituições do arranjo passou a produzir efeito imediatamente após a comunicação da decisão final, contra os até 30 dias anteriores, com suspensão imediata para instituições em liquidação extrajudicial. Também entraram em vigor mudanças nos critérios de participação e nos procedimentos de adesão e desligamento do Pix. No radar antifraude, o BC liberou a marcação de CPF e CNPJ suspeitos de fraude por até cinco anos, com rejeição automática de transações ligadas a esses registros — pente-fino que mira reduzir o espaço de manobra de golpistas que dependem da velocidade do sistema para escoar dinheiro roubado.
1º de fevereiro de 2027: boleto duplicado vira devolução obrigatória
Foto: reprodução/mobiletime.com.br
A partir de fevereiro, entra em vigor a cobrança híbrida: bancos poderão reunir boleto e QR Code Pix numa mesma guia, e o pagamento por um dos meios passa a impedir a quitação pelo outro. Se, ainda assim, o cliente pagar duas vezes — via boleto e via Pix —, a instituição recebedora terá até 24 horas para devolver o valor excedente com recursos próprios. É a peça central da história: pela primeira vez, o BC obriga o banco a arcar com o prejuízo de uma cobrança duplicada, tirando do consumidor o ônus de correr atrás do reembolso. Na mesma data, passa a valer a regra de que o cliente marcado por suspeita de fraude precisa ser notificado, com direito a pedir revisão e receber resposta em até sete dias — e a instituição responsável pela marcação indevida terá de removê-la.
1º de julho de 2027: Pix Automático chega à conta-salário
A etapa final libera o Pix Automático para contas-salário, hoje restritas a operações básicas. Trabalhadores poderão autorizar previamente cobranças recorrentes — streaming, academia, financiamentos — direto da conta em que recebem o salário, sem confirmar cada transação manualmente. O Pix comum continua vetado nessas contas, exceto para transferências do Tesouro Nacional e devoluções.
Quem ganha, quem se mexe
O consumidor sai na frente: mais proteção contra fraude, devolução automática em caso de cobrança duplicada e mais flexibilidade na conta-salário. Já bancos e fintechs têm pela frente 2027 inteiro para ajustar sistemas de conciliação, compliance antifraude e integração entre boleto e Pix — sob risco de arcar, do próprio bolso, com falhas que hoje caem no colo do cliente. O Mecanismo Especial de Devolução (MED) para vítimas de golpes segue funcionando como antes, sem alterações no pacote.