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Smart Cities28 de ago. de 2026, 23:27

PL quer criar a "luz do obrigado" para motoristas agradecerem no trânsito

O Projeto de Lei 2.729/2026, do deputado Amom Mandel (Republicanos-AM), propõe um sinal luminoso extra nos carros só para gestos de cortesia. A ideia nasceu em 2004 com o ator Marcos Winter e já tem apoio da Abramet.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Uma luz só para dizer obrigado

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2.729/2026, do deputado Amom Mandel (Republicanos-AM), que quer alterar o Código de Trânsito Brasileiro para permitir um sinalizador luminoso auxiliar de cortesia nos veículos — a chamada "luz do obrigado". A proposta não define cor, posição ou intensidade: isso ficaria a cargo de regulamentação futura do CONTRAN. O que se sabe é que o dispositivo seria independente das setas, do freio e do pisca-alerta, acionado por botão no painel ou comando de voz, e usado para mensagens como agradecimento, desculpas ou "pode passar" — sem conferir qualquer prioridade de circulação.

A ideia não nasceu no Congresso. Foi concebida em 2004 pelo ator Marcos Winter, que testou o conceito instalando manualmente uma lâmpada azul em um Fusca amarelo de 1977. Segundo ele, "não existe um equipamento exclusivamente para a pessoa ser gentil no trânsito, agradecer a gentileza". Em janeiro deste ano, a Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) emitiu moção de apoio à proposta, citando potencial de reduzir o estresse e a agressividade entre motoristas — o famoso "road rage".

Foto: reprodução/brasil.perfil.com

O obstáculo que vem depois da lei

Aqui entra a pergunta que sempre faço: aprovar a lei resolve o problema? Não sozinho. A Resolução 970 do CONTRAN hoje proíbe qualquer equipamento luminoso adicional que não esteja previsto em norma oficial — usar uma luz não homologada já se enquadra como infração pelo artigo 230 do CTB. Ou seja, mesmo que o PL seja aprovado alterando o Código de Trânsito, o dispositivo só sairia do papel depois de regulamentação específica do CONTRAN definindo cor, posição, intensidade e tempo de acionamento, além da homologação dos fabricantes. É um caminho mais longo do que a simpatia da ideia sugere.

Vale a pena?

Gentileza no trânsito não se regula fácil, mas a proposta tenta dar um canal visual para algo que hoje se resolve com buzina, pisca-alerta ou aceno de mão — soluções ambíguas e, às vezes, mal interpretadas. Resta saber se o Congresso vai priorizar a pauta e se o CONTRAN vai transformar a simpatia em norma técnica viável. Por enquanto, o projeto segue em tramitação pelas comissões temáticas da Câmara.

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