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Ciência28 de set. de 2026, 11:35

Placa no fundo do Pacífico mostra rachaduras que podem levar milhões de anos

Imagens sísmicas da região de Cascadia revelaram fraturas profundas em uma placa tectônica submarina, sinal de que ela está se fragmentando aos poucos. O processo, segundo os pesquisadores, deve se estender por milhões de anos.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: pense em uma zona de falhas de 75 quilômetros de extensão no fundo do oceano — mais ou menos a distância entre o centro de São Paulo e Campinas — onde parte do trecho ainda tremeliga com terremotos e outra parte está em silêncio total. É esse contraste que intrigou os cientistas que mapearam o subsolo marinho da região de Cascadia, no Oceano Pacífico, ao largo do noroeste americano e do Canadá.

O que foi confirmado

O achado vem de um estudo publicado na revista científica Science Advances — publicação da Associação Americana para o Avanço da Ciência, referência em pesquisas multidisciplinares. A pesquisa usa dados coletados em 2021 pelo CASIE21 (Experimento de Imagem Sísmica de Cascadia), quando uma equipe enviou ondas sonoras para o fundo do oceano e captou os ecos de volta com um cabo de sensores de aproximadamente 15 quilômetros de comprimento. O trabalho teve à frente a cientista Suzanne Carbotte, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty — centro de pesquisa em ciências da Terra ligado à Universidade Columbia, nos EUA —, ao lado da colega Anne Bécel.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

As imagens resultantes mostraram fraturas atravessando a estrutura da placa, com uma das falhas associada a um deslocamento vertical de cerca de 5 quilômetros. Ao longo da faixa de 75 km analisada, alguns trechos continuam gerando terremotos enquanto outros estão praticamente quietos — um mosaico que, segundo os pesquisadores, indica estágios diferentes de um mesmo processo de ruptura.

O que ainda é hipótese

A leitura da equipe é que a placa não está simplesmente parando de se mover de uma vez, mas se rompendo em pedaços menores, um de cada vez, até a próxima fratura acontecer. Esse processo de fragmentação pode durar milhões de anos, conforme os próprios cientistas ressaltam — não é algo que se resolve em uma geração, muito menos da noite pro dia.

Outro ponto que segue no campo da hipótese é o que a fragmentação pode abrir no caminho: os pesquisadores especulam que rachaduras desse tipo podem criar uma espécie de "janela" na placa, permitindo que material mais quente do manto suba em direção à superfície e, no limite, influencie atividade vulcânica futura na região. É importante notar que isso é um cenário possível levantado pelo estudo, não uma previsão de erupção iminente.

Por que isso importa

Cascadia é uma zona de subducção monitorada de perto porque tem histórico de terremotos de grande magnitude. Entender como essa placa está se comportando no detalhe — em vez de tratá-la como um bloco único e uniforme — ajuda a refinar os modelos de risco sísmico da costa oeste da América do Norte. Por ora, o que existe é um retrato mais nítido de um processo geológico lento e ainda em curso, sem prazo definido para nenhuma consequência prática.

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