Plex vira vitrine de venda de ingresso de cinema usando dados de audiência
Servidor de mídia doméstico fechou parceria com a Fandango para transformar decisões de descoberta de filmes em compra direta de tickets, com rastreamento de resultado para estúdios e anunciantes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
100 milhões de decisões por mês viram moeda de venda
Mais de 100 milhões de decisões de streaming por mês — esse é o volume de dados de comportamento que o Plex, servidor de mídia doméstico usado para organizar e assistir a bibliotecas pessoais de filmes e séries, movimenta todos os meses entre seus usuários. É esse sinal de intenção de audiência, somado às listas de favoritos de mais de 45 milhões de usuários, que a empresa está agora monetizando de uma forma nova: ajudando estúdios e anunciantes a vender ingresso de cinema.
Como funciona a parceria com a Fandango
A integração foi firmada com a Fandango, plataforma de venda de ingressos de cinema nos Estados Unidos. Usuários do Plex nos EUA passam a ver, nas páginas de filmes que ainda estão em cartaz nos cinemas, uma opção de compra de ticket que leva diretamente ao site da Fandango, com acesso a horários de sessão em uma rede de 31 mil salas de cinema no país. Ou seja: o usuário que descobre um filme navegando pela biblioteca do Plex pode sair dali direto para a bilheteria digital, sem precisar abrir outro aplicativo do zero.
O diferencial: medir se o clique virou ingresso vendido
O que torna o movimento relevante para o mercado publicitário é a camada de atribuição: a parceria inclui rastreamento feito pela Kochava, empresa de mensuração de campanhas digitais, que promete mostrar a estúdios e anunciantes como o engajamento de audiência no Plex efetivamente se converte em venda de ingresso. Até aqui, grande parte do investimento de marketing de lançamento de filme carecia desse tipo de métrica direta entre descoberta e bilheteria.
Quem ganha com a mudança
Para o Plex, a iniciativa abre uma fonte de receita adicional que não depende de assinatura nem de anúncio tradicional dentro do próprio app — monetiza o dado de comportamento que a plataforma já coletava para recomendações. Para estúdios, distribuidoras e anunciantes, o benefício é ter, pela primeira vez nesse canal, visibilidade mensurável sobre quais campanhas de fato convertem intenção em bilheteria, informação que ajuda a direcionar orçamento de mídia com mais precisão. Já o usuário final — que ganha conveniência — também passa a ter seu comportamento de descoberta de conteúdo usado como insumo comercial para terceiros, um ponto que tende a levantar discussão sobre até onde vai o uso desses dados de audiência doméstica.