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Ciência06 de ago. de 2026, 22:25

Poeira de Marte é ameaça tóxica para astronautas, alerta a NASA

Partículas finas do solo marciano contêm compostos tóxicos e podem se infiltrar em trajes e habitats, levando a NASA a criar limites de exposição para futuras missões tripuladas.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Um inimigo microscópico em Marte

Além das distâncias imensas e da radiação espacial, missões tripuladas a Marte enfrentam outro obstáculo menos óbvio: a poeira do planeta. Segundo reportagem do Canaltech, o solo marciano é composto por partículas extremamente finas que podem penetrar em trajes espaciais, contaminar o interior de habitats e até instalações agrícolas, permanecendo suspensas no ar por mais tempo em ambientes fechados e de baixa umidade.

Composição tóxica preocupa cientistas

Foto: reprodução/nasa.gov

A poeira marciana contém substâncias como percloratos, metais pesados e compostos potencialmente cancerígenos. De acordo com a NASA, o ferro é o elemento predominante no regolito e pode gerar espécies reativas de oxigênio nocivas ao organismo. Outros elementos monitorados incluem cromo-6+, manganês, perclorato e arsênio — este último considerado de baixo risco nas condições previstas, assim como o cromo e o manganês, cujas concentrações estariam abaixo dos limites de segurança. O maior perigo está nos pulmões: por serem extremamente finas, as partículas tendem a se depositar no sistema respiratório e parte pode ser absorvida pela corrente sanguínea.

NASA cria grupo de trabalho e limite de exposição

Para lidar com o problema, a NASA formou o Martian Dust Limits Working Group, grupo multidisciplinar com geólogos, médicos e projetistas de habitats. A agência já estabeleceu um limite permissível de exposição (PEL) de 0,1 mg/m³ para partículas menores que 10 micrômetros, calculado como média ponderada em 24 horas para exposições de até 30 dias. O valor foi derivado do limite lunar equivalente (0,4 mg/m³), reduzido por um fator de incerteza de três vezes para compensar as lacunas ainda existentes sobre a toxicidade da poeira marciana.

Foto: reprodução/nasa.gov

Prevenção como estratégia central

Segundo Shaunna Morrison, pesquisadora da Rutgers University que integra o painel, a melhor estratégia é priorizar a prevenção: manter o máximo de poeira fora do habitat, removê-la rapidamente quando entrar, monitorar partículas no ar e projetar sistemas para que as equipes não precisem de contramedidas médicas após exposição.

Um problema tratável, mas urgente

Ainda que as partículas marcianas sejam menos abrasivas que o regolito lunar, sua toxicidade química impõe desafios distintos de engenharia e saúde. Pesquisadores destacam que, se tratada como requisito de projeto desde o início, a poeira de Marte é um risco gerenciável para as próximas gerações de missões tripuladas ao planeta vermelho.

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