tech & talk
Ciência07 de ago. de 2026, 13:16

Poeira de Marte é tóxica e preocupa NASA antes de missões tripuladas

Rica em percloratos, sílica e metais pesados, a poeira marciana representa um risco à saúde dos astronautas. A NASA já definiu um limite de exposição seguro e discute estratégias de proteção para as futuras missões ao planeta vermelho.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

Compartilhar

A poeira que cobre a superfície de Marte tem uma composição química que acende um alerta para as futuras missões tripuladas ao planeta. Segundo especialistas ouvidos pelo Space.com, o material contém percloratos, sílica e metais pesados associados ao desenvolvimento de câncer. Embora as partículas marcianas sejam mais arredondadas — e, portanto, menos cortantes — do que a poeira lunar, sua composição é considerada mais perigosa à saúde humana.

Brian Hynek, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade do Colorado, e Shaunna Morrison, da Universidade Rutgers, estão entre os pesquisadores que vêm estudando os riscos do material. Joel Levine, da William & Mary e especialista em poeira lunar, também contribuiu com comparações entre os dois ambientes.

Foto: reprodução/nasa.gov

NASA cria grupo de trabalho e define limite de exposição

Para enfrentar o problema, a NASA reuniu o Martian Dust Limit Working Group em duas sessões, realizadas em 20 e 27 de fevereiro de 2026. O grupo, formado por especialistas como David Damby, Claire Horwell, além de Hynek, Morrison e Joyce Tsuji, avaliou a base de evidências toxicológicas disponíveis e a arquitetura das futuras missões para propor um limite seguro de exposição.

Foto: reprodução/space.com

O resultado, publicado pela agência em 21 de julho de 2026, estabeleceu um Limite de Exposição Permissível (PEL) de 0,1 mg/m³ como média ponderada em 24 horas, para partículas menores que 10 micrômetros, em cenários de exposição de até 30 dias. O valor foi derivado do limite já usado para poeira lunar, de 0,4 mg/m³, reduzido por um fator de incerteza de três vezes para compensar as lacunas ainda existentes sobre a toxicidade do material marciano — já que nenhuma amostra autêntica de poeira marciana em suspensão foi trazida à Terra até hoje.

Desafio é impedir a entrada da poeira nos habitats

Em ambientes de baixa umidade como Marte, as partículas podem permanecer suspensas no ar por dias ou semanas, aumentando o risco de inalação. Há ainda preocupação com a possível contaminação de alimentos cultivados em solo marciano e com a aderência da poeira a trajes e equipamentos, que podem levá-la para dentro dos habitats.

Por isso, a estratégia prioritária dos cientistas é a prevenção: impedir ao máximo que o material entre nos ambientes fechados, removê-lo rapidamente quando isso acontecer e monitorar constantemente as partículas em suspensão no ar, com sistemas de filtragem em desenvolvimento. A ideia é que as tripulações não precisem depender de tratamentos médicos como resposta à exposição, mas sim de um projeto de engenharia que trate o problema desde o início.

martenasaexploração espacialastronautassaúde
Compartilhar