
Polestar coloca eletrodos na cabeça de motoristas para medir emoção ao volante
Em parceria com a Universidade de Oxford, a Polestar monitorou o cérebro e o coração de 12 motoristas em pista na Suécia para tentar transformar a sensação de dirigir rápido em dado científico. O estudo ainda é um piloto e não prova causalidade.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagina usar uma touca cheia de eletrodos — do tipo usado em exames de EEG — enquanto você acelera um carro elétrico de 544 cavalos numa pista construída dentro de uma pedreira de calcário desativada. Foi exatamente isso que 12 motoristas fizeram na ilha sueca de Gotland, em um teste da montadora de carros elétricos de alta performance Polestar (ligada à Volvo e à chinesa Geely) em parceria com o SDG Impact Lab da Universidade de Oxford.
O que foi confirmado
O estudo, descrito pelos próprios pesquisadores como um "piloto de viabilidade", testou duas versões do Polestar 4 no circuito Gotland Ring: a Rear motor, de 200 kW (268 cv), e a Dual motor com Performance pack, de 400 kW (544 cv). Os 12 participantes dirigiram ambas em condições calmas e dinâmicas, enquanto os pesquisadores registravam eletroencefalograma (EEG), frequência cardíaca, condutância da pele, rastreamento ocular (piscadas, dilatação da pupila, tempo de fixação do olhar), telemetria do carro e questionários após cada volta.
Os números: a versão Performance teve aceleração de pico 32% maior que a Rear motor em voltas comparáveis, mas exigiu 15% menos esforço de direção dos motoristas. Na escala de "performance e dinâmica" criada pelos pesquisadores, a versão de 544 cv pontuou 89,2 de 100, contra 67,7 da versão mais fraca. Em qualidade experiencial geral, a diferença foi parecida: 93,0 contra 77,9.
Max Klapow, pesquisador de doutorado em Oxford envolvido no projeto, resumiu a hipótese central: "Performance não é simplesmente ir mais rápido. É dar ao motorista uma sensação de confiança e controle por meio de respostas previsíveis do carro." Já Christian Samson, chefe de atributos de produto da Polestar, disse que a empresa queria entender "algo que não pode ser capturado só por uma ficha técnica".
O que ainda é hipótese
Aqui mora o ponto mais importante pra quem lê rápido: os próprios pesquisadores classificam o trabalho como um estudo piloto, com apenas 12 participantes — amostra pequena demais para provar qualquer relação de causa e efeito entre as medições cerebrais e a sensação de prazer ao dirigir. Segundo as fontes, é necessário um estudo maior para estabelecer a confiabilidade e a validade dos achados. Ou seja: os dados sugerem uma correlação entre mais potência, atenção visual e notas mais altas de satisfação — mas isso não é, por enquanto, uma fórmula científica fechada para o prazer de dirigir.