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Segurança19 de out. de 2026, 10:52

Policial é demitida após dar login de câmera de placas ao marido do ICE

Investigação encontrou quase mil buscas feitas pelo agente de imigração americano com a conta da esposa, a maioria envolvendo motoristas hispânicos.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A policial Amber Harpe, do departamento de Savannah, na Geórgia (EUA), foi demitida em agosto depois que uma investigação interna descobriu que ela deu a senha de acesso ao sistema de câmeras da Flock Safety — fornecedora americana de câmeras leitoras de placas usada por polícias dos EUA — ao próprio marido, Tyler Harpe, agente do ICE (Immigration and Customs Enforcement), agência federal americana responsável pela fiscalização de imigração. Segundo documentos do processo disciplinar, entre janeiro e julho a conta de Amber foi usada para 983 buscas envolvendo 97 placas de veículos, espalhadas por seis estados: Geórgia, Florida, Nova Jersey, Maryland, Carolina do Norte e Carolina do Sul — esta última concentrou 788 das consultas. Tyler Harpe admitiu o uso e disse que pediu a senha à esposa para localizar mais rápido, nas ruas, pessoas que já tinham mandado de prisão.

Quem é afetado

Foto: reprodução/wtoc.com

A maioria das placas consultadas estava registrada em nome de motoristas hispânicos, segundo a reportagem. O caso levou à demissão de outros cinco funcionários do departamento de Savannah, totalizando seis exonerados pela mesma investigação sobre uso indevido do sistema Flock. A corporação informou que não tem acordo para compartilhar esses dados com o ICE — o que torna o episódio um caso de acesso obtido por fora das regras internas, e não de cooperação oficial entre as agências.

O que fica desse caso

  • O ICE abriu investigação própria sobre a conduta do agente Tyler Harpe.
  • A polícia de Savannah reafirmou que não autoriza o compartilhamento de login do Flock com terceiros, incluindo outras agências federais.
  • A Flock Safety mantém contratos com milhares de departamentos de polícia nos EUA, e episódios como este reabrem a discussão sobre quem realmente audita o uso dessas contas.
  • O alerta vale também fora dos EUA: sistemas de leitura automática de placas vêm crescendo em cidades brasileiras, e a pergunta sobre quem tem acesso e quem fiscaliza esse acesso segue sem resposta padronizada.
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